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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Abolição da Escravatura é tema de debates no Projeto Aruanda

Slogan oficial do projeto
Foto: Renata Ramos
O projeto Aruanda realizou uma intervenção nos dias 11 e 12 de maio, intitulada “13 de maio não se comemora, se luta”. A ação aconteceu na rua coberta do Campus II da Universidade Feevale e contou com um pocket show realizado pela banda 50 Tons de Pretas, na quinta-feira, e por uma aula aberta, na sexta-feira, cujo objetivo era debater sobre a imprensa negra no Rio Grande do Sul. As atividades ocorreram em alusão ao dia 13 de maio, marcado como a data oficial da Abolição da Escravatura e como o Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo, e tinham como intuito desconstruir o imaginário acerca das datas e a conscientização sobre o combate ao racismo.

A banda 50 Tons de Pretas deu início as atrações do projeto Aruanda na quinta-feira com um show repleto de músicas voltadas para a cultura afro, com fortes influências no samba de raiz. A banda é composta por cinco integrantes que residem na cidade de Campo Bom, que resolveram se juntar para apresentar a cultura afro para cada vez mais pessoas. A vocalista da banda, Monique Cunha, fala que a música foi a melhor maneira que elas encontraram para fazer isso. “Antes de nós, nunca vimos ninguém representar a música afro na cidade, ou seja, nós somos as precursoras, pois fomos as primeiras a tocar samba de raiz, entre outros estilos de origem afro, em uma cidade predominantemente alemã”, comenta.


O Show pocket da banda 50 Tons de Pretas embalou o público
Foto: Jade Guimarães
Outra atividade do projeto foi a aula aberta Intelectuais e imprensa negra no Rio Grande do Sul, que aconteceu no auditório de Pós-Graduação, localizado na sala 200B do prédio lilás. A aula foi organizada através da disciplina de Diversidade, Conflitos Sociais e Direitos Humanos, em parceria com o Programa de extensão NIARA – Nutrindo Identidades e Afirmações Raciais e contou com uma palestra com o professor José Antônio dos Santos. O professor falou a respeito da cultura africana no Brasil, principalmente na representação da mesma através da mídia tradicional e instigou os participantes a discutir a respeito do tema através de perguntas.

Sobre o Projeto Aruanda

Criado em 2015, o projeto visa estimular a visibilidade social, a autoestima e o protagonismo político-cultural de jovens pertencentes a comunidades negras da cidade de Novo Hamburgo. Nesse sentido, parte importante do trabalho é estimular os jovens beneficiários e os acadêmicos da Universidade Feevale a disseminar o conhecimento obtido e as reflexões feitas ao longo de sua experiência junto ao projeto. Andressa Lima é uma das voluntárias que trabalhou no projeto Aruanda. Ela está no sétimo semestre de jornalismo na Universidade Feevale e acredita que esse dia representa uma luta que as pessoas com origem africana tem todos os dias.  travam diariamente. "Eu achei que era um ótimo momento para discutirmos o assunto dentro da Universidade, pois esse evento representa uma resistência para nós, no momento em que demonstramos que ainda estamos lutando pelos nossos direitos", destaca Andressa. 


Andrei Souza, acadêmico do 5º semestre de Jornalismo na Universidade Feevale

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Helene

Na última entrevista que marquei em Porto Alegre, me atrasei. Péssimo. Culpa do trânsito e, em parte, de minha inocência ao sair “apenas” uma hora e meia antes do compromisso. Dessa vez me precavi e saí duas horas antes do horário marcado. Sem pressa e com a maior calma do mundo, tudo transcorreu perfeitamente: o trem não atrasou, não havia fila para os táxis na rodoviária, o trânsito da capital fluiu sem percalços. Cheguei às 17h ao imponente Goethe-Institut, local onde havia marcado a entrevista. Uma hora adiantado, mas, para minha surpresa, Helene já estava lá. No bar bebendo uma coca diet e conversando distraidamente em alemão com sua tradutora, ela nem percebeu quando me aproximei. Não por arrogância, e sim por distração de alguém que se sente extremamente à vontade com o ambiente a sua volta. Depois das devidas apresentações, nos encaminhamos ao auditório do Instituto, onde mais tarde Helene subiria ao palco e falaria sobre seu livro.

– É sua primeira vez no Brasil? –, indaguei.
– Oh, sim! –, respondeu ela sentando-se numa das poltronas azuis cuidadosamente alinhadas.
– O que está achando? –, continuo eu naquela dúvida que os brasileiros necessitam em ter sobre as expectativas dos gringos acerca do nosso país.
– Estou gostando muito. Semana que vem vou para o Rio, –, e se apressa logo a explicar –, não a trabalho, apenas para curtir com alguns amigos.
– Acho que você vai gostar.
– Em Munique, o Rio de Janeiro é quase como um lugar mítico, todos sonham em estar lá, nas praias e festas.

Retiro o bloco de notas da mochila e testo o gravador. Tudo certo. Hora de começar. Mas quem é Helene?

Com 17 anos, Helene Hegemann fez justamente o que não se espera de um jovem dessa idade, lançou seu primeiro livro. Envolto a polêmicas e acusações de plágio, Axolotle Atropelado (Intrínseca) foi indicado para o Prêmio Literário Cologne e finalista do prêmio literário da Feira do Livro de Leipzig. Best-seller na Alemanha, o romance é só mais um dos trabalhos artísticos da jovem nascida em Freiburg. Torpedo, seu filme de estreia, o qual ela assina o roteiro e a direção, foi lançado no HotFilm Festival de 2008 e recebeu o prêmio Max Ophüls. Como se não bastasse, Helene também é criadora da peça teatral Ariel 15, que estreou em 2007.

Axolotle Atropelado conta a história de Mifti, uma adolescente berlinense que vive de forma extrema, abusando de drogas e relacionando-se de maneira pueril com as pessoas ao seu redor. Quando lançado, muitas pessoas achavam que Mifti era a personificação de Helene, o que a irritava, “Quanto mais eu dizia que não era eu, mais as pessoas falavam ‘Ah meu Deus, é ela! ’ No começo eu pensava que só eu sofria com isso, mas depois percebi que todo escritor é meio que reduzido aos seus personagens principais. Eu queria escrever sobre uma garota de 17 anos, pois eu era uma garota de 17 anos. Eu também poderia escrever sobre um cara de 30 anos no Brasil, sem nem mesmo estar aqui, mas eu precisava dessas informações básicas para criar o pano de fundo da história”.

Helene pela primeira vez no Brasil Foto: Divulgação

Assim como Axolotle Atropelado, Torpedo surgiu de forma espontânea, “eu fiz o roteiro e mandei para várias produtoras que achei na internet. E depois de seis ou sete meses alguém respondeu e eles disseram que realmente queriam fazer esse filme”. Com coragem, Helene foi categórica: “Vocês só podem ter o roteiro se me deixarem dirigir o filme”. Sua resposta, que surpreendeu a si mesma, foi vital para sua carreira, “eu não sei por que fiz isso, pois naquela época eu era tão tímida. Mas no fim eu fiz, foi um média-metragem que teve certo sucesso na Alemanha, passou nos cinemas, coisa que eu nunca esperei. E muitas pessoas assistiram, o que foi incrível, porque muitas pessoas trabalharam em conjunto no filme e foi tão complicado e tão louco. Você precisa de muito dinheiro para fazer algo assim, então foi muito estressante e muito exaustivo, mas ao mesmo tempo foi a melhor coisa”. Helene ainda é enfática na sua preferência entre trabalhar com filmes e livros, “Trabalhar sozinha é um problema dos livros. Na verdade é por isso que eu realmente odeio escrever romances”, acrescenta aos risos. “É ótimo que ninguém esteja no seu caminho ou diga para você fazer algo diferente do que você quer. E é previsível que, ao escrever um romance, tudo está nas suas mãos, mas isso é algo extremamente chato. O que eu realmente acho incrível na arte é que você entrega algo para as pessoas e elas transformam isso em algo completamente diferente. E é assim que você trabalha em equipe. Isso é algo que você desenvolve na vida, e é muito mais excitante do que sentar na sua mesa e pensar em você como um incrível autor”, afirma com humildade.

Como todo escritor, Helene tem suas influências, “acho que o único romance que realmente mudou minha vida é As benevolentes (Alfaguara), de Jonathan Littel. Ele é um cara de 37 anos que escreve de um modo totalmente diferente que os historiadores e romancistas fazem. Mas quem influenciou minha escrita em Axolotle foi Kathy Acker. Ela é uma escritora punk da Nova Iorque dos anos 1960. Eu descobri alguns livros dela e comecei a lê-los e pensei: ‘Meu Deus, isso é louco’, são como letras de músicas, são realmente poéticos e loucos. Essa escrita um pouco incompreensível no começo, fez com que eu sentisse algo, mas não entendesse nada. Então eu combinei isso com autores do século XIX, como Charles Dickens e Dostoiévski. E acho que essa combinação realmente foi a base da minha escrita”. As influências, porém não estão apenas no mundo literário, o que percebemos no início de cada capítulo de Axolotle Atropelado, que traz o título de alguma música. “Há sempre uma música tema para cada capítulo. Obviamente eu nunca penso nisso antes, mas depois eu percebo: ‘Merda, eu fico escutando essa mesma música várias e várias vezes’, e de algum modo essas músicas formam o capítulo, influenciam o que eu escrevo. E é por isso que eu coloco elas no começo de cada capítulo. E também porque eu gosto das letras, eu prefiro muito mais letras de músicas do que poesia”, confessa a autora.

Passando por Porto Alegre para participar da FestiPoa Literária, –  que aconteceu de 19 a 25 de maio, em Porto Alegre e contou com a participação de diversos escritores, poetas e ensaístas brasileiros e estrangeiros –, Helene conta que não se sente deslocada em outros países e acredita que deve isso à globalização, “eu estive na Holanda, na Inglaterra, na Escandinávia e essa é minha primeira vez na América do Sul. Mas o interessante é que as pessoas que se interessam pelo meu livro ou pelas coisas que escrevo pensam mais ou menos do mesmo modo. E isso é uma conexão que a literatura faz, você encontra pessoas com os mesmo gostos e mesmas ideias, mesmo que elas nem falem sua língua”. 

Agora com 22 anos, Helene planeja um novo livro, mas foca grande parte de sua atenção no cinema, onde pretende seguir carreira, “nos últimos quatro anos eu vim juntando dinheiro para o próximo filme, o que é sempre muito estressante, mas nós vamos começar as filmagens no fim do ano e vai ser um filme sobre Axolotle Atropelado”. Sobre adaptar um livro próprio para o cinema, ela brinca que não terá o mesmo problema que os escritores geralmente têm com os diretores das adaptações, “eu posso fazer o que quiser. É perfeito!”.

Foto: Ana Mendes/Divulgação

Giancarlo Couto
Acadêmico do 5º Semestre de Jornalismo

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Resenha: Espetacular Homem-Aranha 2


Quando Sam Raimi assumiu a direção do primeiro filme do Homem-Aranha, lá em 2002, teve a difícil tarefa de adaptar para as telonas um personagem que fez muito sucesso nos quadrinhos. Em 2012, 10 anos depois, quando a Sony decidiu fazer um reboot no universo cinematográfico do personagem, Marc Webb, o novo diretor, recebeu uma missão igualmente complicada. Pegar um personagem adaptado de forma inocente e "crua" pro cinema, e remodelá-lo, de fato, à imagem do século 21.

O primeiro passo foi pegar a versão ultimate do super-herói e usá-la como base nessa nova franquia. Um Peter Parker mais crível, ainda azarado e atrapalhado, mas alguém que mesmo com seus problemas e dilemas, consegue ser feliz e tirar sarro de todas as situações. O cara enfrenta com esperteza e descontração até os mais delicados inimigos. E com todo um roteiro sabendo caracterizar o personagem, entra Andrew Garfield, um ator que literalmente veste a camisa do herói que interpreta. Quando ele chora, lamentamos, porque realmente estamos assistindo a Peter Parker chorar. Quando ele faz piada, rimos junto, pois é realmente uma piada digna de Homem-Aranha. A trama com seus pais tem continuidade, muitos criticam o filme por esse plot, mas particularmente gosto quando criam conexões entre os personagens, mesmo que no passado. Deixa tudo mais enxuto. O universo ultimate dos quadrinhos é basicamente isto, Hulk, Homem-Aranha, Duende Verde, os mutantes e muitos outros surgiram na corrida genética para se criar o novo super-soldado, após a morte do Capitão América. Então acaba que a origem de um herói ou vilão está atrelada a criação do outro. E tudo culmina na Oscorp, se levarmos em conta o número limitado de personagens dos quais a Sony possui os direitos cinematográficos.

O filme também é maravilhoso visualmente. Os efeitos especiais são um espetáculo a parte. Pela primeira vez as cenas do Aranha se balançando pelas teias, em NY, ficaram reais. Você entende como funciona o processo e vê a ação do ponto de vista do próprio escalador de paredes. O universo estendido começa a ser semeado, vários personagens são inseridos, mesmo que já não assumam suas "super-alcunhas", ficando apenas com suas identidades civis. O número de easter eggs do longa é enorme, tente não piscar durante o filme.

Um trauma para os telespectadores desde Homem-Aranha 3 é o alto número de vilões. A promessa de ter Rhino, Duende Verde e Electro pode ter assustado, mas na prática, suas participações são comedidas e cada um tem sua função no filme. Nada de aparições de luxo ou exageros. Dane DeHaan, que causou muita desconfiança quando foi anunciado como Harry Osborn, consegue dar vida ao personagem e nos faz esquecer de vez o seu ex-interprete, James Franco. O mesmo vale para a Tia May, interpretada pela atriz Sally Field, que tem aparições pontuais e pertinentes.


Emma Stone merece um parágrafo próprio pelo seu trabalho dando vida à Gwen Stacy. Um amor jovial, que passa a sua veracidade e intensidade. O drama que os cerca é desenvolvido de forma divertida, sem o "mimimi melodramático" que o relacionamento de adolescentes costuma ter nas telonas. A cena inclusa no trailer do filme, em que Gwen chama o Aranha de Peter aos berros, fala muito sobre o relacionamento do casal: sincero e espontâneo.


O filme, claro, não é perfeito. O mesmo roteiro que acerta em cheio no desenvolvimento dos personagens, nas referências aos que ainda vão aparecer e na trama toda amarrada, também peca em alguns momentos. Soluções simplistas e algumas coisas que acontecem "porque sim", mas nada que comprometa o filme.

Para quem é fã das aventuras do Homem-Aranha, verá nos cinemas praticamente 2 horas e meia de uma história em quadrinhos em movimento. E quem ainda não lê suas HQs, certamente ficará no mínimo interessado em começar a saber mais do personagem, pois o impacto que o filme tem sobre os telespectadores não é pequeno.

Agora, se você não assistiu ao filme ainda, recomendo que não leia o que falarei a seguir. É um desabafo sobre o filme COM SPOILERS. Para realizar a leitura, selecione o texto e leia por sua conta em risco.


Particularmente achei o final meio anti-climático. Mas acalme-se, explicarei essa minha posição. 


Quando a Gwen Stacy morre, na queda da Torre do Relógio, eu realmente não acreditei no que estava acontecendo. A cena mostrava o Peter chorando, não querendo acreditar no que estava acontecendo e eu estava junto dele na torcida. Quando a câmera mudou, para um ângulo de cima e focou no rosto da personagem, acreditei com todas as minhas forças que ela iria abrir os olhos.


Na sequência, mudou a cena, e novamente fiquei na torcida de mostrarem ela em um hospital, se recuperando. Mas a cena que surgiu foi em um cemitério. Novamente fiquei na torcida para ser o velório de algum Osborn, que fosse um "pega ratão". Mas não, Gwen Stacy realmente havia morrido nos braços de Peter Parker.

Dai me caiu a ficha. Dai eu acreditei. Mas dai já tinha passado a cena e não adiantava eu me emocionar mais. Mas realmente fiquei todo arrepiado quando me toquei do que aconteceu. Foi anti-climático pra mim, e só pra mim, porque deixei o filme me envolver de tal forma que não quis acreditar no que eu vi. E quando a ficha caiu, já era tarde demais para lamentar.

E na sequência, quando ele assiste ao depoimento dela na formatura, confesso que me segurei pra não deixar uma lágrima cair. Tenho mais ou menos a idade dos personagens do filme e vejo regularmente pessoas conhecidas da minha idade morrerem, seja no transito ou onde for. Ver ela, a atriz, caracterizada de adolescente na formatura, e o Peter, com toda uma vida para carregá-la apenas nas lembranças, me fez lembrar de alguns conhecidos que se foram.

E se um filme consegue se conectar comigo a tal nível que me atinja assim, só pode ser algo muito bem feito e envolvente. 




Kinhu Heck

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Pré-estreia FestiPoa

Na noite de ontem (22), foi dada a largada para a Sétima Festa Literária de Porto Alegre, conhecida carinhosamente como FestiPoa. A pré-estreia aconteceu no Teatro Bruno Kiefer, na Casa de Cultura Mario Quintana e contou com a presença do escritor português Gonçalo M. Tavares.

Ficou a cargo dos atores Deborah Finocchiaro e Thiago Pirajira apresentar, através de textos e poemas, a história de cada um dos autores nacionais que farão parte da programação do evento. Tudo acompanhado da trilha sonora improvisada pelo músico Ricardo Pavão. Para começar, o principal homenageado, o contista pernambucano Marcelino Freire. Vencedor do Prêmio Jabuti, de 2006, Freire sempre inspirou diretamente a FestiPoa, principalmente com a criação da Balada Literária de São Paulo. “A Balada, que está indo para a nona edição, é uma inspiração para a FestiPoa, um modelo mais aproximado digamos assim. Bem no início foi um tipo de programação a seguir, depois da segunda ou terceira edição a gente já procurou uma característica mais local”, comentou Fernando Ramos, um dos organizadores da FestiPoa.

Deborah Finocchiaro e Thiago Pirajira Foto: Carol de Góes

Os demais autores que estarão presentes na FestiPoa, que vai dos dias 19 a 25 de maio serão: Sérgio vaz, poeta mineiro que vive em São Paulo desde os 5 anos de idade e é conhecido por agitar a cena cultural na periferia;  Miró de Muribeca, poeta pernambucano que já atravessou o país lendo seus textos;  Lourenço Mutarelli, autor paulista conhecido pelo livro O Cheiro do Ralo, adaptado para o cinema por Heitor Dhalia; Paulo Scott, poeta e escritor porto-alegrense radicado no Rio de Janeiro; Cíntia Moscovich, contista gaúcha que será a anfitriã do evento e Fausto Fawcett, escritor de ficção científica, que ficou conhecido como músico nos anos 80.

Maria Rezende lendo Gonçalo M. Tavares Foto: Carol de Góes

Em seguida, a poeta Maria Rezende subiu ao palco para ler um poema de Gonçalo M. Tavares, já presente na plateia. Logo após um breve intervalo, o escritor Reginaldo Pujol Filho conduziu uma conversa com Tavares, que falou sobre sua carreira como escritor, seus livros e suas percepções acerca dos avanços tecnológicos em relação ao ser humano e a literatura. Após ler trechos de seus contos, Tavares finalizou sua fala dizendo que se sentia orgulhoso em meio a pessoas que ainda amavam os livros. Para finalizar a noite, Tavares autografou o seu livro “Matteo Perdeu o Emprego”, obra que está sendo lançada no Brasil pela Foz Editora.


Gonçalo M. Tavares (esquerda) e Reginaldo Pujol Filho Foto: Carol de Góes

“Na programação uma coisa que se tenta fazer é a informalidade, a visão de que a literatura não precisa ter frescura nem formalismo para ser acessível”, destaca Fernando Ramos, que se mostrou confiante com a proximidade de mais um evento cultural consolidado no Rio Grande do Sul.


Giancarlo Couto
Acadêmico do 5º Semestre de Jornalismo

sexta-feira, 14 de março de 2014

As várias faces de Hell

Hector Eduardo Babenco nasceu em Mar del Plata, na Argentina e erradicou-se no Brasil aos 19 anos. Quando jovem trabalhou como figurante de diretores italianos, como Sergio Corbucci e Giorgio Ferroni, além do espanhol Mario Camus. Com ascendência judaico-ucraniana, Babenco já dirigiu também atores americanos e mexicanos. Agora ele conduz a peça Hell, passada na França, mas que assim como ele, tem contato direto com o mundo inteiro.

Pseudônimo da escritora Lolita Pille, Hell é uma garota rica e fútil que passa sua vida em meio a drogas, consumo e principalmente ao vazio que sente diante disso tudo. “Ela é tudo isso que você não enxerga, mas que muitos gostariam de ser. Ela é o próprio vazio, preenchido por figurinos e drogas que a tornam diferente do resto”, comenta Bárbara Paz, que interpreta a protagonista. Em dado momento Hell conhece Andrea, um rapaz que vive no mesmo meio que ela. Bárbara destaca que “esse é o ponto alto da peça, como uma ópera. O que acontece quando duas pessoas que vivem igualmente nesse universo se encontram e se apaixonam”? O ator André Bankoff, que interpreta o jovem francês, destaca: “As Hells e os Andreas estão em todos os lugares. É o consumo desenfreado, seja de roupas, drogas, diversão ou bebida. A família dá todo suporte e manutenção para esses vícios, mas a base da educação em casa não é dada, pelo contrário, é só suprida com dinheiro”.


Crédito: João Caldas

Antes de se tornar peça, o livro de Lolita Pille já havia sido adaptado para o cinema, porém sem grande sucesso. “Totalmente diferente [o filme] da peça, acho muito superficial. Tenho certeza que a peça se tornou melhor que o filme, pois é um retrato fiel do livro”, comenta Bárbara, que acrescenta que não se baseou em nada na atuação de Sara Forestier no filme para compor a sua personagem, “eu procurei a minha verdade. A minha Hell”.

Depois de ser escolhida por críticos e especialistas como uma das melhores peças brasileiras de 2013 e passar por várias cidades do país, Hell chegou ao Teatro Feevale nos dias 7, 8 e 9 de março desse ano e contou com sessões lotadas e longos aplausos. “Pra gente é uma sensação única, é mágico. Ver aquele teatro repleto e as pessoas aplaudindo é muito gratificante. É o sonho de qualquer ator”, comenta Bankoff, que acrescenta que esse sucesso é resultado de muito estudo e trabalho da equipe.


Crédito: João Caldas

Agora Hell terá quatro apresentações em Campo Bom, terra natal de Bárbara Paz. Na sexta-feira, já com ingressos esgotados, e no sábado as sessões acontecem às 21h. Já no domingo ocorrem duas sessões, a primeira às 18h e a última às 21h. Os ingressos custam R$5 para idosos e estudantes e R$10 para os demais, podendo ser adquiridos da bilheteria do Complexo Cultural CEI de Campo Bom. “Venham nos assistir e sintam-se à vontade para sentir, pois a peça é forte”, Bárbara Paz convida, já Hell ordena.

Giancarlo Couto
Acadêmico do 5º Semestre de Jornalismo

terça-feira, 11 de março de 2014

André Bankoff fala sobre o espetáculo Hell

O espetáculo Hell, dirigido por Hector Babenco e estrelado por Bárbara Paz e André Bankoff esteve em cartaz no Teatro Feevale nos dias 7, 8 e 9 de março. Com grande sucesso, a peça segue para apresentação em Campo Bom no próximo fim de semana.

O ator André Bankoff falou conosco sobre a peça, seus personagens e projetos futuros de sua carreira, confira o áudio da entrevista a seguir:


Giancarlo Couto
Acadêmico do 5º Semestre de Jornalismo

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Palpites para o Oscar 2014

Enquanto o Brasil estiver focado no Carnaval, no dia 2 de março, os americanos estarão voltados para o Oscar 2014. O evento que premia as melhores produções cinematográficas, conta este ano com ótimas produções e promete ser um dos mais concorridos dos últimos anos.

Confira as indicações das principais categorias e suas previsões:

Melhor filme:

* Trapaça
* Capitão Philips
* Clube de Compras de Dallas
* Gravidade
* Ela
* Nebraska
* Philomena
* 12 anos de escravidão
* O Lobo de Wall Street



O principal candidato a estre prêmio é 12 anos de escravidão. Dirigido por Steve McQueen II, o longa conta uma história real, envolvendo um assunto pertinente (o preconceito) e ainda tem um elenco estrelar. Com cenas marcantes, trilha sonora que contribui para a construção do filme e ótimas interpretações, o longa tem tudo para ser a obra mais completa deste ano e assim levar a estatueta de Melhor Filme. Mas não seria nenhuma surpresa ou injustiça se O Lobo de Wall Street acabasse saindo vitorioso.

Melhor diretor:

* David O. Russell - Trapaça
* Alfonso Cuarón - Gravidade
* Steve McQueen - 12 anos de escravidão
* Martin Scorsesse - O Lobo de Wall Street
* Alexander Payne - Nebraska



Alfonso Cuarón sai na frente dos seus concorrentes por ter conseguido implementar um belíssimo plano sequencia de 17 minutos, no espaço, usando o que de melhor a tecnologia tem a oferecer desde Avatar. A história que possui apenas 2 atores e um ambiente quase que totalmente escuro, precisou de um diretor competente para se tornar uma aventura emocionante, divertida e empolgante. Mas novamente O Lobo de Wall Street corre por fora, Martin Scorsesse dirigiu um filme maravilhoso e se não fosse por Gravidade, sua vitória seria a aposta mais certeira.

Melhor Atriz:

* Cate Blanchett - Blue Jasmine
* Amy Adams - Trapaça
* Sandra Bullock - Gravidade
* Judi Dench - Philomena
* Meryl Streep - Album de Família


A presença marcante nas cenas e o talento de carregar praticamente todo o filme sozinha, coloca Sandra Bullock, de Gravidade, como uma das principais candidatas a estatueta. Porém, Cate Blanchett foi igualmente competente em apresentar o drama e caracterização da sua personagem em Blue Jasmine. A briga pela vitória deve circular as duas atrizes.

Melhor ator:

* Christian Bale - Trapaça
* Bruce Dern - Nebraska
* Leonardo DiCraprio - O Lobo de Wall Street
* Chiwetel Ejiofor - 12 anos de escravidão
* Matthew McConaughey - Clube de Compras de Dallas


Matthew McConaughey se popularizou como ator de comédias românticas, um galã. Mas foi justamente quando assumiu o papel de um texano com HIV, com apenas 30 dias de vida, que brilhou. Além da atuação e caracterização impecáveis do personagem, o ator realmente se dedicou, perdeu cerca de 21 kg. Mas novamente preciso ser repetitivo e dizer que O Lobo de Wall Street também come pelas beiradas aqui. Leonardo DiCaprio esteve impecável no filme.Destaco a cena em que ele estava chapado e passou quase 20 minutos do filme delirando, como ponto alto de sua atuação.

Melhor ator coadjuvante:

* Barkhad Abdi - Capitão Philips
* Bradley Cooper - Trapaça
* Michael Fassbender - 12 anos de escravidão
* Jonah Hill - O Lobo de Wall Street
* Jared Leto - Clube de Compras de Dallas


Nesta categoria dificilmente Jared Leto não sairá vitorioso. A exemplo de Mathew McConaughey, ele também perdeu muitos kg e esteve irreconhecível. Interpretando Rayon, um travesti, acabou brilhando em cena e já levou o Globo de Ouro, dificilmente não levará o Oscar também.

Melhor atriz coadjuvante:

* Sally Hawkins - Blue Jasmine
* Jennifer Lawrence - Trapaça
* Lupita Nyong'o - 12 anos de escravidão
* Julia Roberts - Album de Família
* June Squibb - Nebraska


Pela sua atuação em 12 anos de escravidão, Lupita Nyong'o merece o Oscar este ano. A dramaticidade exigida e executada por ela ao interpretar a escrava Patsey impressiona emociona.

E essas são os palpites para as principais premiações do Oscar 2014, uma premiação bem equilibrada e cheia de possibilidades.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O Natal no Cinema e TV


Quem nunca acordou cedo na época do Natal para ver os episódios especiais dos seus desenhos prediletos? Ou ainda, assistiu ao longo das tardes, seja em casa ou no cinema, as grandes produções de Hollywood que abordam o tema? Confira agora alguns dos mais populares filmes e desenhos que trazem o bom e velho Papai Noel em destaque.

1. Esqueceram de Mim (1990).


Um clássico do cinema mundial. Protagonizado por Macaulay Culkin, o filme conta a história de um jovem que foi deixado acidentalmente em casa enquanto a família inteira foi viajar. O mote do filme não é o natal em si, a data é usada como background ao longo dos seus 99 minutos.

2. Meu Papai é Noel (1994).


O filme dirigido por John Pasquin tem presença garantida nas telas da TV durante o período do Natal. O clássico apresenta Scott Calvin, vivido pelo ator Tim Allen, tendo de assumir o trabalho do Papai Noel, após o mesmo sofrer um acidente. Com o tempo Scott acaba engordando e ganhando barba, assumindo de vez o manto do velhinho mais querido do mês de dezembro. O filme ganhou duas continuações, em 2002 e 2006.

3. O Grinch (2000).


O Natal é marcado pela alegria e solidariedade. Mas sempre tem uma exceção, e nesse caso ela se chama Grinch. O ser de nome estranho nasceu com a cor esverdeada e por isso sofreu preconceito a vida inteira. Decidido a estragar o Natal de todo mundo na cidade fictícia de Quemlândia, no dia 25 de dezembro ele coloca em prática o seu plano para roubar os presentes de todo mundo. Tendo Jim Carrey como protagonista, o filme foi um grande sucesso com o público mais jovem.

4. Meu Herói de Brinquedo (1996).


Arnold Schwarzenegger é um pai de família um tanto quanto desatento com o seu filho. Quando ele percebe a grande admiração que o seu "filhote" possui pelo vizinho, ele decide que fará de tudo para conquistá-lo novamente. E isso inclui revirar a cidade inteira em busca de um brinquedo já esgotado.

5. Um Natal Muito, Muito Louco (2004).


Quando a família Kranks decidiu não realizar uma  festa natalina, os moradores da rua foram ao delírio. Conhecidos por realizarem grandes comemorações, este ano optaram por mudar. Como a filha do casal havia viajado, eles optaram por economizar e fazer um cruzeiro. Mas claro que desistir de uma festa tão enraizada na mitologia da vizinhança não seria tarefa fácil. O longa é protagonizado por Tim Allen e Jamie Lee Curtis.

6. Especiais de natal do Mickey.


Mickey Mouse, o mais clássico personagem da Disney é uma presença garantida nos natais da gurizada. Pelo menos 4 produções levam o seu nome e são um tremendo sucesso. O Conto de Natal do Mickey, de 1983, onde é adaptada a história dos Fantasmas do Natal Passado, Presente e Futuro. Aconteceu no Natal do Mickey, de 1999, onde são apresentados contos de Natal com o Mickey, Pateta e Pato Donald. Em 2004 foi lançado Aconteceu de novo no Natal do Mickey, que segue a mesma dinâmica do longa anterior, mas com as adições de Max, filho de Pateta e Pluto, o cão de Mickey. E finalizando temos o Natal Mágico do Mickey, que é um filme televisivo derivado da sua própria produção, na história temos as participações de grandes personagens Disney, como Timão e Pumba, Gênio da Lampada, Dumbo, Branca de Neve e outros.

7. O Natal do Bob Esponja (2012).


Focado exclusivamente para a TV temos o Natal de Bob Esponja. O filme é todo feito em stop-motion e tem como destaque o vilão Plancton tentando destruir o Natal dos moradores da Fenda do Biquini para que ele possa ganhar o seu presente: A receita do hamburguer de siri.

8. Simpsons (1989).


Muita gente conhece a família Simpson, mas o que poucos sabem é que seu primeiro episódio foi de Natal. Na trama Homer, o pai da casa, acaba apostando o dinheiro do presente dos filhos em uma corrida de cachorros. Ele perde a aposta e fica sem ter o que dar aos filhos. Porém o cão perdedor acaba sendo expulso e jogado na rua. A família mais louca de Springfield acaba adotando ele e batizando-o de Ajudante de Papai Noel.

E essas são algumas das principais obras natalinas para se ver nesta reta final de ano. O Refúgio da Foca deseja a todos os seus leitores um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo. Até 2014 :D

domingo, 28 de julho de 2013

XKCD: o mundo ilustrado de Randall Munroe

A comunidade nerd brasileira está sendo invadida por uma nova mania. Lançado há algum tempo, o site XKCD está se alastrando e virando acesso obrigatórios por comunidades de matemática, física e computação. O site traz a proposta de quadros desenhados com bonecos de palito que não possuem rosto, porém se expressam, utilizando a linguagem corporal e gestual. Os personagens se envolvem em situações do cotidiano, provocando discussões entre leitores, o que gerou diversos grupos em fóruns para debaterem os assuntos abordados. 

O site foi criado pelo norte-americano Randall Munroe, que atuou como físico e roboticista na NASA antes de passar a se dedicar aos quadrinhos em tempo integral. Começou a divulgação do seu trabalho lançando pequenos desenhos que fazia em seus cadernos, como uma forma de brincadeira. Aos poucos, os personagens e as histórias foram tomando as características que apresentam hoje.
 
Sobre o conteúdo das ilustrações, Thales Sarczuk, desenvolvedor e fã da série comenta: “O teor contido nas tiras é de cunho mais intelectual, buscando a reflexão e introspecção do leitor ao invés de entregar humor cru e banal.” Sarczuk ainda salienta que “as histórias se diferem do que encontramos hoje, em relação à banalização e objetificação do sexo, das pessoas e da instituição de família, realçando sempre a importância do bom convívio entre familiares, amigos e cônjuges.” Temas como matemática, doença, política, ciência, paternidade e amizade também são recorrentes.





Existem histórias dinâmicas, onde os leitores podem interagir com o site, de diversas maneiras. “Em uma ocasião, Randall publicou uma tira chamada 'Time'. De hora em hora, a imagem da tira é alterada apenas um pouco, dando a ilusão de ser um filme em câmera muito lenta. Por ser publicada tão devagar, a história desperta curiosidade. 'O que vai acontecer agora?', 'Para onde os personagens vão?'. É simplesmente apaixonante.”, salienta Sarczuk.
 
Outras interações leitor-história acontecem de tempos em tempos. Algumas vezes Randall publica tiras que mudam os seus textos e ilustrações de acordo com a localização da pessoa, hora do dia, clima e resultados mais frequentes de pesquisa no site de buscas Google. O autor também utiliza competições de vida real (mostrando e referenciando alguns duelos, como uma gincana entre faculdades), encontros entre amigos, eventos astrológicos, desastres naturais, entre outros. Um de seus trabalhos dinâmicos chamou atenção do público pelo seu tamanho. Na tira “Drag and Drop” (Clique e arraste), Randall recriou uma paisagem, da qual o leitor só tem acesso a um pequeno pedaço de cada vez. Para visualizar o resto da paisagem, o leitor precisa clicar na ilustração e arrastá-la, efetivamente “se deslocando” pelo cenário e explorando pouco a pouco a imensidão do mundo de fantasia criado pelo autor. Se a tira fosse impressa em uma impressora convencional, ela ocuparia 43 km² de área.

"Para quem domina o Inglês, acompanhar xkcd em seu site original pode ser uma leitura interessante e enriquecedora.”, comenta Sarczuk. Apesar das tiras serem todas em língua inglesa, elas estão sendo lidas no mundo inteiro. No Brasil, existe uma comunidade de fãs que criaram um site com as tiras traduzidas (http://www.xkcd.com.br/). As tiras são lançadas todas as segundas, quarta e sextas-feiras, com uma edição especial todas as terças feiras da série "What If?" (E se?). Pode ser acessado no site original: www.xkcd.com.


Bruna Haas Pacheco
Acadêmica do 1º semestre de Jornalismo.

sábado, 20 de julho de 2013

Clarice Falcão: Romance, Humor e Música


A atriz e cantora, Clarice Falcão despontou na internet com suas músicas, que são uma mistura de romance e comédia. Compostas de melodias fofas, letras humoradas e ácidas e cantadas por uma voz meiga cativaram uma legião de fãs. Os vídeos são singulares, demonstrando originalidade no que é feito.
A pernambucana de 23 anos fez diversos trabalhos, como novela, teatro, filme, curtas-metragens e atualmente participa do canal Porta dos Fundos, veiculado via Youtube, com foco em esquetes humorísticas.
Depois de postar os vídeos das suas músicas por mais de um ano na internet, Clarice decidiu lançar o primeiro disco, Monomania, e iniciar uma turnê pelo país. O disco recebeu produção para melhorar a qualidade das músicas que eram exibidas na internet. Apesar da produção, Monomania não é vendido em lojas físicas, encontrando-se disponível no iTunes e em versões gravadas em CDs comercializados nos shows. Sobre o fato da disponibilidade gratuita das músicas, o músico e professor de música, Leandro Rodrigues dos Reis, acredita que “faz parte da mensagem que ela quer passar.”
O teor das letras retrata histórias de romance com traços muitas vezes cômicos, fazendo brincadeiras com temas que vão desde a sinergia do casal a questão de infidelidade e vingança. O professor e músico Leandro elogia: “O nível do português é excelente. As letras são escritas de uma forma branda, neutra. Ela coloca os elementos dentro da letra de uma forma muito inteligente.”
Das quatorze faixas se tem mensagens e histórias lindas, tristes e engraçadas. De todos os loucos do mundo, Clarice faz uma linda declaração de uma forma única:De todos os loucos do mundo eu quis você/ Porque eu tava cansada de ser louca assim sozinha”. A faixa Eu me lembro é uma visão de cada uma das partes num primeiro encontro. E Oitavo Andar começa com uma triste ideia de suicídio “Quando eu te vi fechar a porta eu pensei / Em me atirar pela janela do 8º andar” e finalizando com a decisão de apenas seguir a vida “Invés disso eu dei meia volta/ E comi uma torta inteira de amora no jantar”. Confira algumas músicas nos vídeos abaixo:

Oitavo Andar:


            Monomania:


            De todos os loucos do mundo:




Clarice Falcão é um dos grandes nomes da arte da atualidade. Além de ser uma excelente atriz, faz músicas geniais. Sua sutileza a diferencia do que temos no mercado atual. O fato de ela ser ímpar musicalmente chama atenção dos internautas que podem se deliciar com suas obras. Para quem não conhece, vale a pena acessar o YouTube e descobrir um pouco mais sobre ela. E para quem já é fã, o que resta é esperar o que virá de novo e incrível do trabalho da Clarice.

Bruna Haas Pacheco
Acadêmica do 1º semestre de Jornalismo.


terça-feira, 16 de julho de 2013

Meu Malvado Favorito 2


 
Uma história simples recheada de personagens carismáticos que encantam desde os mais pequenos até os mais crescidos. Assim é “Meu Malvado Favorito 2” que repete o sucesso e mostra mais uma vez por que é tão prestigiado pelo público e crítica.
 
O vilão Gru, que no primeiro filme tinha como plano roubar a Lua, desta vez tem como único objetivo desempenhar bem seu papel de pai e chefe de família. Porém, quando é recrutado pela liga AntiVilão ele precisa aprender a conciliar as tarefas de sua missão com os desafios de ser pai de três garotas: Margo, Agnes e Edith.
 
A missão de Gru é desvendar quem é o malfeitor que roubou um soro perigoso e combater essa nova ameaça. Para isso, ele conta com o apoio da agente Lucy, que desperta sentimentos no vilão que possuí traumas de infância a serem superados.
Com uma trilha envolvente que complementa o ar de suspense da história, temos ainda os queridos Minions, as criaturas amarelas que rendem muitas risadas. O sucesso dessas pequenas criaturas garantiu um filme próprio que deve estrear já no ano que vem.
Se comparado ao primeiro longa, lançado em 2010, este não chega a surpreender, pois usa dos mesmos elementos para repetir o sucesso. Contudo, apesar da história explorada para a continuação ser algo já esperado, não temos apenas uma sequência que visa apenas o lucro, mas também uma que dá um desfecho substancial a história dessa família incomum.
Como podemos ver em muitas novelas e séries, os vilãos vêm ganhando destaque e caindo na graça do público, e com Gru não poderia ser diferente. Apesar de ter um passado sombrio, o personagem mostra que de fato o amor pode transformar a vida de alguém. E é com essa ideia tão simples, mas tão verdadeira que o filme vem conquistando bons números nas bilheterias mundiais.  


Karine Brandt
Acadêmica do 6º semestre de Jornalismo

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Resenha - Homem de Aço


Antes de falar sobre o filme "Homem de Aço", preciso esclarecer que não sou e nunca fui fã do Superman. Leio quadrinhos tanto da DC Comics (editora do Super) quanto da Marvel Comics (concorrente), mas prefiro a Marvel. Admiro muito o diretor Zack Snyder e sua técnica de filmagem, a narrativa visual que emprega em seus filmes. O produtor Chris Nolan, o mesmo que dirigiu a renomada trilogia do Batman nos cinemas, sabe adicionar as suas histórias elementos de impacto na sociedade, que nos fazem refletir alguns conceitos bacanas. Ou seja, eu não estava indo no cinema com expectativa alguma quanto ao Superman, mas esperava ser surpreendido pela direção e produção.

Após assistir ao longa posso dizer que me surpreendi onde esperava me decepcionar e me decepcionei onde esperava ser surpreendido. O herói do filme, do qual eu não ia com a cara, se mostrou extremamente humano (e até americano). As cenas em que ele aparece jovem, aprendendo sobre seus poderes e sua vida anormal, foram as mais bem feitas e tocantes das quase 2 horas e meia de película. Entretanto, o impacto social da personalidade de um ser que voa e é invencível deixaram a desejar. Por diversas vezes uma analogia velada entre Clark Kent e Jesus Cristo foi criada. O jovem ser encarado como um Deus para a humanidade em geral parecia que iria ganhar cada vez mais destaque na história, porém foi completamente ignorado quando começou a pancadaria. Essas referências tem a cara de Chris Nolan, que adora deixar as suas tramas bastante realistas, mas infelizmente ele aparentemente não conseguiu conduzir o plot para algo que evoluiu, ficou apenas nas sementes plantadas.

O ator Henry Cavill caiu perfeitamente para o personagem. Alto, forte, musculoso, é um ator com uma fisionomia carismática, mas que mete respeito, tal qual o Superman exige. Amy Adams como Lois Lane não comprometeu e em alguns momentos até se encaixou na personagem.

Amy Adams como Lois Lane
Falando em pancadaria, o filme pode ser dividido em duas partes nada iguais:

1° Parte: Corresponde a cerca de 1/4 do filme. São as cenas onde Kal-El (nome original de Clark) se descobre como um ser especial.

2° Parte: Corresponde aos demais 3/4 do filme. A pancadaria, explosões, destruições, mortes e tudo que envolva efeitos especiais. Imagine que Metropolis (a cidade fictícia onde ocorre o filme), seja a nossa versão de Manhatan, em NY. Ela foi completamente destruída. Não sobrou prédio sobre prédio. Cerca de milhares de pessoas faleceram na cidade, devido a tamanha destruição, boa parte dela causada pelo próprio Super, que não levou a luta para longe da cidade. E é aqui que o filme comete um de seus grandes pecados. Com a proposta de ser uma produção realista, deixar passar um massacre desses sem ao menos colocar o herói escoteiro a refletir sobre suas ações, acaba ficando estranho para o telespectador. A destruição é tamanha que chega a incomodar.


Com a luta finalizada, a poeira baixa e em um passe de mágica tudo volta a ser belo, como se nada tivesse sido destruído ou ninguém falecido. Se na década de 40/50 quando o personagem surgiu, ele conseguia salvar o dia sem usar máscara e ninguém gravar o seu rosto, hoje na "Era da Informação", onde temos dezenas de celulares registrando tudo o que acontece em cada esquina, a primeira coisa a acontecer seria ter o rosto de Clark Kent estampado em todos os jornais possíveis, tornando a sua vida e de sua família, um inferno. Mas aqui temos outros equívoco, tal qual foi no passado, um óculos acaba sendo o suficiente para esconder sua identidade secreta.

O "Homem de Aço" nem de longe é o melhor filme do ano, nem o melhor filme herói já feito. Também não é o pior. Ele vale o ingresso do cinema, e nada mais.

Marcos Heck
Acadêmico do 2º semestre de Jornalismo

terça-feira, 18 de junho de 2013

Tangos & Tragédias

“Na vida, tudo passageiro. Menos o Tangos & Tragédias”, essa é uma das marcantes afirmações dos sbørnianos Pletskaya e Kraunus, interpretados por Nico Nicolaiewsky e Hique Gomez respectivamente. Amanhã retornam a Novo Hamburgo, para apresentação única no Teatro Feevale, às 21h.


A dupla fugiu da Sbørnia, um país fictício, após a chegada do rock and roll. Foi então que vieram para o Rio Grande do Sul e montaram o espetáculo, que reúne música, humor, teatro e interação com o público. Para aqueles que não conhecem a Sbørnia, é um país que está sempre reciclando o lixo cultural de outras nações. Possui moeda própria, o scombrio, músicas do folclore, como o Copérnico e Aquarela da Sbørnia, além de um sistema político único: o anarquismo hiperbólico. É uma ilha que navega pelos mares do mundo, mas antes era ligada ao continente por um “istmo”, até que se separou após sucessivas explosões nucleares mal-sucedidas.

A dupla no flamante Yellow Busmarine


Confira abaixo as respostas divertidas de Hique Gomez para o Refúgio da Foca:

Quais as expectativas para o espetáculo do Tangos & Tragédias?
Expectativa é uma palavra que não se usa na Sbørnia desde que houve o Dia da Kapunga. O dia em que a Sbørnia se separou do Continente. Pessoas vivendo em uma Ilha Flutuante não têm expectativas. Elas vivem ao sabor das correntes marítimas. Nossa expectativa era encontrar a Sbørnia, mas agora que o Otto Gerra fez o filme a gente se contenta em ver e lembrar da Sbørnia antes das explosões mal fracassadas que levaram ao rompimento do Istmo.

Qual a faixa etária que mais compra ingressos?
Faixa etária não compra ingresso. Nem tem ingresso disponível pra faixa nenhuma. Se tivesse, o pessoal da Faixa de Gaza iria querer comprar ingresso e não dá por causa das bombas. E como as famílias tem nos prestigiado muito, desde o vovô até as crianças de todas as idades, a gente prefere que as faixas não venham.

 Quantas vezes o espetáculo já veio para Novo Hamburgo?
Novo Hamburgo já recebeu inúmeras visitas, não sabemos quantas vezes. Mas sabemos que tanto a Sbørnia está dentro de NH, como NH está dentro da Sbørnia. Queremos logo fundar a Nova Sbørnia, onde todos possamos celebrar a imigração tanto a Sbørniana quanto Alemã.

 Quando e como começou o Tangos &Tragédias?
Sei mas não vou dizer. Sinto muito, vocês se informem aí porque o Tico fugiu e nós estamos procurando-o. Ele é o nosso gato mais velho e temos que encontrá-lo antes do nosso aniversário de trinta anos do Tangos & Tragédias. Ano que vem.

O Violinista Kraunus Sang e o Maestro Plestkaya



Thábata Mariani
Acadêmica do 1º semestre de Jornalismo