sexta-feira, 9 de junho de 2017

Rafinha Bastos, Gustavo Chagas e Gil Gardelli palestram sobre a diferença que vem das redes

A palestra encerrou o ciclo de atividades dessa quinta-feira em Gramado
Foto: Andrei Souza

A “Diferença que vem das redes” foi o tema que finalizou o ciclo de palestras dessa quinta-feira no Festival Mundial de Publicidade de Gramado. O painel contou com a presença do jornalista e humorista Rafinha Bastos, do professor de Pós-Graduação e MBA da ESPM e da FIA-USP Gil Gardelli e do integrante do grupo Porta dos Fundos, Gustavo Chagas, e foi mediado pelo CEO da SimpleADS Anderson Bitolo. Eles falaram sobre a produção de conteúdo para a internet, destacando as principais inovações do Youtube e comentando vídeos de produtores independentes que vem se destacando. 

Rafinha comentou que a internet é um ambiente cada vez mais explorado pelos produtores independentes, devido ao fato de que ela proporciona total liberdade para a criação de conteúdo. “Na internet você é o seu próprio chefe, você decide qual conteúdo você irá produzir. É uma maneira de criar algo que antes só você acreditava e se a sua ideia der certo, você pode acabar inventando uma nova tendência”, comenta. Ele também disse que tudo o que conseguiu no Youtube foi arriscando e que muitas vezes as coisas não acontecem como ele planeja. “Não existe um manual de instruções para lidar com o Youtube. O produtor de conteúdo tem que dar a cara a tapa e arriscar. Você nunca sabe se vai dar certo ou não”, ressalta.

Rafinha Bastos fala sobre a produção de conteúdo destinado ao Youtube
Foto: Renata Ramos

Gil Gardelli apresentou o seu site e comentou sobre o conteúdo produzido por ele, que é focado em experiências tecnológicas. Gil exibiu suas principais pesquisas a respeito da economia criativa e inovação robótica, no ramo da inteligência artificial. “Essa inovação tecnológica irá se tornar um diferencial para usuário. Estamos avançando muito rápido e daqui a um tempo os sentidos como visão, olfato e paladar poderão ser replicados no meio digital”, afirma o professor. 

Gustavo Chagas comentou sobre a produção de esquetes de humor para o Porta dos Fundos. O humorista falou que o grupo se reúne e realiza brainstormings para pensar em ideias diferentes para os vídeos, e quando a ideia é aprovada eles gravam uma versão de testes e apresentam para a produtora para testar a opinião do público. “A diferença está em pensar em algo que os outros canais ainda não fizeram. A ideia pode ser boa, mas a execução dela também precisa ser para que ela agrade as pessoas que acompanham o seu trabalho”, Ele também comenta que essa nova geração de internautas está cada vez mais crítica e seletiva em relação ao conteúdo. “As redes sociais permitem uma interação muito maior com os produtores de conteúdo. Você faz o seu vídeo e dez minutos depois você já tem uma ideia se ele é bom ou não, devido as reações do público.”

Gustavo Chagas fala sobre a repercussão dos internautas nos vídeos do Porta dos Fundos
Foto: Andrei Souza

No final da palestra eles interagiram com o público respondendo perguntas e dando dicas sobre a produção de conteúdo para as redes. Através de uma conversa descontraída eles  arriscaram alguns palpites sobre o futuro das produções para a web.

Andrei Souza, acadêmico do 5º semestre de Jornalismo na Universidade Feevale



quinta-feira, 8 de junho de 2017

“A diferença que vem das agências diferentes” é tema de palestra no Festival de Publicidade de Gramado

Publicitários falam sobre a experiência de trabalhar com as diferenças dentro de suas agências
Foto: Andrei Souza

Os publicitários Lucas Mello, CEO da LiveAD, André Passamani, diretor da Mutato e Nicolas Motta, diretor da 3YZ palestraram na tarde dessa quinta-feira sobre o tema “A diferença que vem das agências”. O painel promoveu uma discussão a respeito dos ambientes criativos, campanhas e ações desenvolvidas pelas agências, apresentando detalhes que fizeram com que elas se tornassem inovadoras.

Lucas iniciou sua fala comentando que estava cheio de universitários no Festival e que eles são o futuro da publicidade, pois eles vão ter que se reinventar e criar um novo segmento para a área. “A publicidade atual está morrendo, está se renovando, e vocês são o futuro. Vocês irão trabalhar em cima dos nossos erros e acertos e criar um novo segmento para o ramo da publicidade”, ressaltou Lucas.

O publicitário apresentou um vídeo da marca de sorvetes Ben & Jerry's, no qual a empresa chamou 12 duplas de pessoas que tinham visões políticas diferentes e uma forte relação afetiva. Eles foram convidados a discutir política enquanto tomam sorvete e o resultado foi até bem civilizado.

Lucas Mello falou sobre o futuro das agências de publicidade
Foto: Andrei Souza

O vídeo com a gravação dos debates começa um pouco acalorado, com um dos participantes já soltando o clássico “cê tá louco, meu?” que precede discussões mais nervosas. Mas os ânimos se esfriaram com o passar do tempo – talvez pela presença do sorvete na mesa. Por vezes, o vídeo fica difícil de assistir por causa justamente do tema e da maneira como as pessoas se expressam, mas ao final todos se entendem.

Em seguida foi a vez de André Passamani, que falou sobre os conceitos de inovação e diferença dentro da Mutato. Ele falou que a área de criação publicitária das agências deve se desafiar todos os dias, que os criativos devem observar as tecnologias atuais e tentar prever as próximas inovações através das necessidades das pessoas. 

 André exibiu uma campanha para o serviço de streaming Netflix para divulgar a série Orange is New Black. No vídeo, que foi lançado oficialmente hoje, Inês Brasil e Valesca Popozuda discutiam atrás das grades, até que são surpreendidas por Narcisa Tamborindeguy.

Nicolas Motta encerrou o painel, apresentando as principais diferenças que a 3YZ busca trazer em suas campanhas. Ele enfatizou que a 3YZ busca dar maior representatividade para as mulheres, de maneira que a maioria dos cargos ocupados pela agência são do público feminino. Ele também comentou que eles querem quebrar todas as barreiras entre eles, pois acredita que ao passo que diminuem as diferenças a criatividade pode ser libertada.

Nicolas Motta apresentou os principais conceitos trabalhados na agência 3YZ
Foto: Andrei Souza

Ele apresentou a campanha da Zaxy, que traz o mote “Qual é o seu superpoder? ”. O vídeo conta com a participação das seis embaixadoras da marca, as youtubers Nah Cardoso, Bruna Santina (Nina Secrets), Carla Lemos (Modices), Nina Gabriella, Juliana Romano e Melina Souza.

A campanha é um vídeo-manifesto que apresenta os poderes das influenciadoras – questionar (Carla Lemos), conectar (Nah Cardoso), se amar (Ju Romano), transformar (Niina Secrets), inspirar (Melina Souza) e ousar (Nina Gabriella) –, demonstrando como essas habilidades são reflexos de atitudes do cotidiano e instigando as consumidoras a se valorizar e perceber que elas também são superpoderosas.


Andrei Souza, acadêmico do 5º Semestre de Jornalismo na Universidade Feevale

Equipe da Agecom e do Núcleo de Rádio da Feevale marcam presença no 21º Festival Mundial de Publicidade de Gramado


Logo oficial do evento
Foto: Welovegramado/Reprodução
O 21º Festival Mundial de Publicidade de Gramado já é realidade e a equipe da Agência Experimental de Comunicação Experimental da Feevale - AGECOM e do Núcleo de Rádio da Feevale estão realizando a cobertura jornalística do evento em tempo realO evento é o terceiro maior do mundo na área, promovendo debates a respeito do mercado publicitário, reunindo estudantes e profissionais de agências de publicidade.  O Festival é realizado pela ALAP - Associação Latino-americana de Publicidade, uma entidade sem fins lucrativos que congrega agências de Comunicação, Digital e de Design; e Comunicadores com atuação em países da América Latina e nações de língua portuguesa e espanhola. A edição deste ano é presidida pelo publicitário Sergio Gordilho, co-presidente da Agência África e o tema é “nunca a diferença fez tanta diferença”.


Nesse momento estão sendo apresentados dois painéis. O primeiro “Sem as diferenças a propaganda não faz mais a diferença. Verdade ou mentira? ”, contou com a presença de Ricardo Figueira, Diretor de Criação da África, que abordou a publicidade produzida em países fechados, onde não há espaço para diferenças, como Coréia do Norte, Arábia Saudita, Catar. Já no segundo painel “Hoje a diferença vem dos lugares mais diferentes”, o Head de Planejamento da Crispin Porter, Caio Delmanto, está apresentando cases sobre a publicidade em países onde o conteúdo criativo é incentivado, demonstrando através de vídeos e infográficos as principais diferenças entre a publicidade brasileira e a estrangeira. 


Ricardo falou sobre a publicidade produzida em países fechados
Foto: Larissa Carlosso
O consultor de marketing do festival, Itamar Gravemcomentou que “a expectativa para esta edição é boa, pois apesar das dificuldades da atual crise nacional, entre todos os segmentos, a publicidade se reinventa com maior velocidade que as demais áreas”. Gravem participou das quinze edições anteriores e recomenda aos alunos que é fundamental que não deixem de participar, pois grandes nomes da comunicação estão envolvidos.

Já a professora Marta Santos do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Feevale também possui grande experiência no festival, pois participa do evento desde quando era aluna. Ela comentou que “ a proximidade da cidade de Gramado com a nossa região é uma grande oportunidade para alunos e professores da área acompanhar este tradicional evento. A troca de experiências é importante, pois estarão reunidos profissionais com sucesso em marcas consagradas no Brasil e no mundo”. Em relação ao atual momento do mercado publicitário, Marta Santos entende que “é um momento de repensar o formato de negócio, pois o avanço da tecnologia tornou-se necessária uma adequação ao novo perfil de público e a atual situação econômica”. Em relação ao tema, “nunca a diferença fez tanta diferença”, Marta relata que este “é muito importante para jovens profissionais do mercado, pois é necessário também fazer o diferente também na publicidade em um mundo que está cada vez mais inovador e com um número maior de canais de acesso à comunicação. Apesar da constante evolução, nada substituirá o talento”.      


Equipe da Agecom e da Rádio Feevale marcando presença no Festival
Foto: Renata Ramos

Daniel Santos, acadêmico do 7º semestre de Jornalismo na Universidade Feevale

Andrei Souza, acadêmico do 5º semestre de Jornalismo na Universidade Feevale 

                  

terça-feira, 6 de junho de 2017

Álbuns brasileiros dos anos 70

A música brasileira é um universo muito rico, que abrange uma grande variedade de ritmos e melodias, desde a música indígena dos vários povos que habitaram e ainda habitam o Brasil, passando pelo samba de raiz de nomes como Adoniram Barbosa e Cartola. Assim como pela bossa nova – derivada desse mesmo samba e somada a influencias de jazz – lançada nos 50 por João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Tal qual a Tropicália, de caráter bastante político e militante, surgida no final dos anos 1960 e representada por Caetano, Gil, Tom Zé, entre outros artistas, principalmente músicos. Estes, são apenas alguns, entre vários outros movimentos musicais que ocorreram ao longo da história do país.

Sendo a década de 70, tanto no Brasil como no mundo todo, um desses outros períodos marcantes e ilustres. Rock clássico, disco music, punk, R&B (rhythm and blues), funk, o rock progressivo originário da psicodelia sessentista, etc., são todos estilos derivados e popularizados nos anos de 1970. E a lista de ícones brasileiros, sejam bandas ou artistas solo, oriundos dessa época é farta: Baden Powell, Chico Buarque, Elis Regina, Erasmo Carlos, Novos Baianos, Maria Betânia, Raul Seixas, Secos e Molhados, Wilson Simonal, e por aí vai. Pois bem, a ideia aqui é trabalhar exatamente com três álbuns lançados neste ínterim [anos 70], e por três artistas tão idolatrados e importantes quanto os que já foram citados. Então, aqui vamos nós...

Tudo Foi Feito Pelo Sol (1974) – Mutantes

Com músicas mais longas, elaboradas e letras esotéricas, que tratam (basicamente) de um desabrochar da mente, libertador, que eleva o ser, ou em outras palavras: “E quem bebeu a luz do sol; Não pode mais beber a escuridão; Sinta que a luz verdade é mais forte; E eles morrerão; E eu fico com Deus”, Tudo Foi Feito Pelo Sol foi originalmente lançado em 1974 e é o sexto álbum dos Mutantes. Da formação original, com Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Baptista, somente o último dos irmãos Baptista – o guitarrista Sérgio – participou da gravação do disco que marcou o despertar da banda para o rock progressivo, geralmente, recebendo por grande parte da crítica musical a atribuição com um dos melhores discos brasileiros do gênero.

Formação dos Mutantes que gravou o álbum Tudo Foi Feito Pelo Sol:
Túlio Mourão, Sérgio Dias,  Rui Motta e Antônio Pedro de Medeiros.
Foto: Blog Merece Destaque/Reprodução.

Tim Maia – Racional Volume 1 (1975) e Volume 2 (1976)

A Cultura Racional – seita filosófico-religiosa brasileira fundada na década de 1930 pelo médium Manoel Jacintho Coelho – proporcionou o melhor de Tim Maia e da banda Seroma, tanto criativa como tecnicamente. Sua inserção na Cultura Racional era tão profunda, que as mensagens do Universo em Desencanto – série livros escritos por Manoel e essenciais na Cultura – passadas através das letras, soam verdadeiramente genuínas da mais íntima crença do cantor carioca. O que tira o foco do ouvinte da doutrinação e do apelo das músicas e coloca-o na essência das palavras proferidas em si, cujo são mais uma exaltação dos “comos” e “porquês” faz sentido a busca pela Imunização Racional, cantada assim: “Que beleza é saber seu nome; Sua origem, seu passado; E seu futuro; Que beleza é conhecer; O desencanto; E ver tudo bem mais claro; No escuro”. Ambos volumes de Tim Maia Racional, o primeiro lançado em 1975 e o segundo em 1976, são absurdamente incríveis e merecedores da designação de melhor fase do músico.
Tim Maia e o Coro Racional.
Foto: Filhos do Racional Superior/Reprodução.

Jorge Ben – África Brasil (1976)

África Brasil começa seu Lado A com a história do ponta de lança africano, Umbabarauma, que: “Pula, pula, cai, levanta; Sobe, desce, corre, chuta; Abre espaço; Vibra e agradece”. Depois passa pela Tábua de Esmeralda, texto de Hermes Trismegisto que viveu o antigo Egito e deu origem à Alquimia. Após isso, faz referência ao mausoléu construído no século XVII a mando do imperador Shah Jahan em memória à sua esposa favorita – o Taj Mahal. O Lado B, apresenta Xica da Silva, “A imperatriz do Tijuco; a dona de Diamantina”, escrava brasileira posteriormente alforriada, figura histórica nacional. Também fala de Zico, o galinho de Quintino, em “Camisa 10 da Gávea”. Na sequência, aparece a figura de São Jorge, “Ministro de Zambi na Terra; O Príncipe de toda África”. Por fim, Jorge Ben alude Zumbi, personagem histórico e líder do Quilombo dos Palmares. Isso, na música homônima do seu décimo quarto álbum de estúdio, lançado em 1976, onde definitivamente introduziu a guitarra elétrica no seu repertório, consolidando uma fusão de gêneros musicais entre a música afro-brasileira e a música afro-estadunidense. 
Jorge Ben e a banda Admiral Jorge V durante as gravações do África Brasil.
Foto: Sinister Salad Musikal's Weblog/Reprodução.

Marcus Tamujo, acadêmico do 8º semestre de Jornalismo da Universidade Feevale.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Cara série necessária: Este show não é sobre você, é para você


 "O paradoxo da educação é que ao ter consciência, passa-se a examinar a sociedade onde se é educado." - James Baldwin

E é com este tapa na cara, que somos introduzidos a uma verdadeira sequência de tapas na cara, que é o mundo de "Dear White People".

Lançada no dia 28 de abril de 2017, pela nossa tão querida Netflix, Dear White People, infelizmente, não recebeu a atenção merecida, pois teve o azar de ser lançada em meio ao hype monstruoso da série, também "Netflixiana", 13 Reasons Why.

Porém, mesmo com a fraca divulgação na época de sua estreia, DWP vêm ganhando notoriedade, embora de um modo um tanto negativo, por ser a série, até então, com o maior número de dislikes em seu teaser no YouTube (mais de 400 mil) e, também, por ter sido a responsável por um grande número de cancelamentos de assinatura no sistema de streaming. Tudo isso por ser acusada de "racismo reverso".

Entretanto, nenhum desses fatos diminui a importância de DWP, na verdade, só aumentam ainda mais, pois provam que, além de tocar em algo delicado, a série é feita para pessoas com maturidade o suficiente para encará-la de forma correta.
É, meu caro amigo "branco oprimido", este show não é sobre você.

Pôster oficial da série
Foto: Netflix/reprodução

         Com uma linguagem sarcástica, dando ao show um tom de drama com toque de comédia, DWP é ambientada na Universidade Winchester. Sua narrativa é contada de forma não linear, isto é, há constantes mudanças de perspectiva e flashbacks, esta característica se deve, principalmente, ao fato da série não possuir um único protagonista, ou seja, ela é contada sob diferentes visões, com um capítulo destinado para cada personagem, onde descobrimos não somente as suas pretensões dentro da militância estudantil, mas sim, os seus dilemas pessoais. 

A série inicia-se em uma festa blackface, cujo anfitrião é o grupo mais elitista da universidade. A motivação deste grupo é das mais torpes. Tudo ocorreu porque eles estão revoltados com Samantha White (Sam), aluna negra, ativista e a principal personagem da série. Estudante de audiovisual, Sam possuí uma rádio no campus, cujo nome é "Cara Gente Branca", onde ela fala abertamente sobre questões raciais pertinentes, tais como: blackface, apropriação cultural, violência policial contra negros, etc.


    
Samantha White, protagonista da série
Foto: popsugar/reprodução
    

No entanto, a tal festa é somente a ponta do iceberg para conflitos muito mais tensos, os quais vão sendo revelados ao longo da trama, sejam eles futuros, ou parte do passado de cada personagem.

Troy Fairbanks em sua campanha
Foto: avclub/reprodução
A grande sacada de Dear White People se dá, justamente, nesses elementos, pois a mesma explora, de forma microcósmica, em um campus que se diz "pós racial", questões macrocósmicas, isto é, de mundo. Como por exemplo: solidão e bullying, como conta a infância de Coco, onde a mesma era hostilizada e excluída, desde a creche, por ser negra; padrão de beleza, quando Sam e Coco param de alisar os seus cabelos e passam a usa-los de forma natural; passibilidade branca, isto é, quanto mais escura a sua pele for, pior você será tratado; violência policial, no momento em que os policiais do campus apontam uma arma para Reggie; relacionamentos inter-raciais, no caso de Sam e seu namorado branco, Gabe; racismo reverso, nos diversos momentos em que, de forma sarcástica e descarada, a série nos toca na cara a inexistência de pessoas brancas sendo oprimidas pela sua cor; racismo estrutural e repressão, ao fato da Winchester se dizer "pós racial”, mas, a diferença de número entre alunos brancos e negros ser gritante. Juntamente com a repressão sofrida toda vez que há protestos e atos da UAN (grupo de negros militantes da Winchester, sendo Sam a líder do mesmo) por parte do reitor da instituição, sendo que o mesmo também é negro.

Além de todos os assuntos citados, a outra grande sacada da série se dá em dedicar um episódio por personagem, onde não somente a militância é explorada mas sim as histórias, motivações pessoais e demais conflitos internos dos mesmos. De forma a humaniza-los, provando que há vida além de atos e protestos. E que, acima de tudo, há pessoas frágeis e que erram, assim como qualquer uma.


Cena do primeiro episódio
Foto: thevisibilityproject/reprodução

Por fim, a odisseia de negros em uma instituição em colapso, onde todo o tipo de violência e segregação parece normal, nada mais é do que o reflexo de uma sociedade doente, que, embora esteja no mundo de uma série, é um reflexo assustadoramente real. Como se Dear White People possuísse um espelho, onde uma ferida aberta, enorme e dolorida nos fosse mostrada e tocada, de modo a ficarmos inertes diante da dor causada por cada um de nós, a Cara Gente Branca.


Rafaela Kolling Bickel, acadêmica do 1° Semestre de Jornalismo na Universidade Feevale







quinta-feira, 1 de junho de 2017

Doramas: O que é isso?

(SweetKissesDrama/Reprodução) 

Os Doramas ou Dramas são novelas ou seriados orientais. Em todo o continente asiático são produzidos esses programas para a televisão e algumas webséries dos mais variados gêneros. Se compararmos Dramas com as novelas brasileiras veremos que há uma enorme distinção entre elas e o mesmo vale em deferência aos seriados americanos.
Vamos à lista:
- Cada episódio perdura entre 60 há 65 minutos;
- Não possuem temporadas, tem início meio e fim dentro de uma sequência entre 12, 16 ou 24 episódios;
- Em casos muito raros os Dramas produzidos para televisão têm mais de 60 episódios (mas é muito raro mesmo);
- As tramas e enredos são absurdamente variadas e não seguem um estilo esquemático;
- Não são apresentados todos os dias, alguns doramas passam duas vezes na semana e outros apenas uma vez;
- Os homens se cuidam tanto quanto as mulheres, usam cremes, vão ao salão fazer o cabelo e se emocionam muito (bem diferente da cultura do “homem não chora” que aos poucos está sendo modificada no Brasil);
- A mulher não é sexualizada como vemos na cultura latino-americana, mas ela é quase sempre vista como o sexo frágil e tem um príncipe encantado para protegê-la;
- Há diferenças de estilos entre os K-dramas, Tw-dramas, C-dramas, J-dramas e Lakorns.

Agora você deve estar se perguntando o que são todos esses nomes estranhos, calma que já te explico tudo!

Os K-dramas, Korean Dramas ou, mais popularmente no Brasil, Doramas Coreanos são as séries produzidas na Coréia do Sul. As estórias são construídas sobre diversos gêneros e tem um conteúdo mais sútil, mostra claramente que a cultura coreana é mais conservadora. Os romances, por exemplo, são mais infantilizados, há pouca ou nenhuma insinuação de relações que vão além de abraços, mãos dadas e beijos fofos, mas é esse contexto puro que rouba o coração dos espectadores. Além dos romances fofinhos se tem muitas histórias nas quais reina o melodrama e a tragédia, em outras palavras, alguns dramas são “de cortar os pulsos”.
 
(MyDramaList/Reprodução) Playful Kiss


O Tw-dramas ou Doramas Taiwaneses, são as séries ou novelas produzidas em Taiwan. São um tanto mais liberais em tese de relações interpessoais que os coreanos, mas não chega nem perto do que estamos habituados a assistir no Brasil. Há quem diga que são muito semelhantes às novelas mexicanas, sempre apelam para finais felizes, sendo pouco realistas e ocorrendo até mesmo de se optar por atender aos desejos do público. O sentimentalismo não é superficial nesses dramas então pode aguardar por cenas mais emocionantes e picantes.
 
(MeteorDramas/Rprodução) Skip Beat

C-dramas, Chinese dramas ou Doramas Chineses são as séries televisivas produzidas na China. Em sua grande maioria são dramas históricos, tendendo a ter uma maior quantidade de episódios (em média 30 episódios por dorama) e sem focar tanto na ideia de final feliz, uma vez que optam por serem fieis aos contextos históricos das personagens. Resumindo, a boa maioria dos doramas chineses é uma tragédia que vai te fazer chorar litros, mas é muito educativo!

(MyDramaList/Reprodução) Medical Examiner Dr. Qin


J-dramas, Japanese Dramas ou Doramas Japoneses (em alguns casos ainda são chamados de Live-Actions, pois são adaptações de animes e mangás) são produzidos no Japão. Possuem uma duração mais curta, pois são transmitidos de acordo com as estações do ano nas quais um episódio é lançado por semana, em média 12 episódios por dorama. São comprometidos com a realidade, ou seja, não há garantias de finais felizes. Os japoneses adoram dramas do gênero mistério e suspense, por isso nesses gêneros eles desbancam os outros países asiáticos com produções muito bem desenvolvidas, mas tendem a ser caricatos quando os dramas são baseados em animes.

(DramaWiki/Reprodução) Yamato Nadeshiko Shichi Henge


Lakorns, Thai-dramas ou Doramas Tailandeses são aqueles produzidos na Tailândia. Quanto à duração, são similares aos J-dramas variando entre 12 e 14 episódios, equivalente a três meses de exibição nas telinhas. São réplicas do estilo mexicano com personagens vingativas, muita excentricidade e clichês. Perdem muito em termos de qualidade com relação as produções coreanas e japonesas, mas as histórias ainda conseguem ser criativas e aos poucos vem ganhando mais presença entre os dorameiros* em torno do mundo. Os enredos são únicos e muitos deles englobam a máfia como temática!

(Itazura na Kiss/Reprodução) Kiss Me


Quanto aos gêneros encontramos doramas de romance, ação, investigação, suspense, ficção científica, fantasia, sobrenatural, comédia, melodrama e viagem no tempo (acabou virando gênero, pois se tornou comum em muitas histórias).

*Dorameiros ou Doramáticos são os amantes ou viciados em Doramas.


Marina Klein Telles, acadêmica de 1º semestre de Jornalismo da Universidade Feevale