segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Irlanda: Quebrando fronteiras, abraçando culturas

Foto: arquivo pessoal de Gustavo Fritzen

Ir ao mercado, pegar um ônibus ou simplesmente pedir uma informação na rua. Essas são algumas atividades que fazem parte de nossa rotina e que geralmente realizamos no piloto automático. Mas as tarefas podem não ser tão simples assim quando estamos em outro país com uma cultura ou idioma tão diferente da nossa.
Durante meus seis meses em Dublin, capital da Irlanda, muitos choques culturais foram vividos. Talvez a famosa política do faça-você-mesmo tenha sido a maior delas. A linha de pensamento é simples: por que pagar para uma pessoa servir a outra se a mesma pode fazê-lo? Exemplo disso é o que é feito na Tesco, rede de supermercados da Europa. Em várias unidades da franquia há a opção dos próprios clientes comprarem suas mercadorias, depositando o dinheiro num caixa automático (e recebendo o troco da máquina, caso necessário). Outro caso é o do transporte Luas, uma espécie de metrô que circula num trilho entre os carros no meio da cidade. Ao comprar os tickets, o passageiro digita numa máquina específica a estação em que está e qual deseja ir. Detalhe: não há fiscal que controla bilhete por bilhete na entrada dos passageiros e acredite, as pessoas respeitam. Das vezes que andei, poucas vi um funcionário pedindo a passagem de passageiros específicos.
Antes de embarcar para a Ilha Esmeralda já tinha ouvido falar de alguns desses costumes. Frente a nossa realidade, isso parecia mais um mito, algo que não poderia dar tão certo assim.  Mas deu. Outra coisa que me alertaram era a grande quantidade de brasileiros por lá e que quando menos me desse conta eu me veria rodeado por outros brasileiros que tentavam a sorte fora do país. No que diz respeito a companhias, não tenho do que reclamar.
Vivi cercado de brasileiros, é verdade, mas também estive rodeado por pessoas de outras nacionalidades. Era estranho -  e ainda é, ao menos um pouco – me referir a eles pelos nomes com fonéticas tão diferentes, como Takuya, Lee ou Ayşegül. Quando não nos reuníamos na casa de algum de nós (o que não era tão comum, já que todos dividíamos a moradia com pessoas que conhecemos por lá), íamos a pubs irlandês e lá ficávamos até fechar, o que também não ia até muito tarde, pois os estabelecimentos acendem as luzes e mandam todos embora por volta das duas ou três da manhã.
Quando se está na Irlanda é muito fácil se deslocar para outros lugares, sejam diferentes cidades ou até mesmo países que você sempre sonhou. Há quem prefira abrir mão desse luxo para juntar dinheiro e renovar seu visto, o que não era meu caso. Tendo planos a serem completados no Brasil, reservei meu sétimo e último mês para fazer um mochilão.
Com passagens aéreas internacionais cujos valores chegam a 10 euros, pegar um voo de Dublin para Paris pode não parecer impossível. Na realidade, a passagem de ônibus até o aeroporto chegou a ser o mais caro em alguns momentos.
Foram 30 dias imergindo em diferentes culturas num curto espaço de tempo. Andei pelas ruas de Helsinki (Finlândia) com suecos que conheci no hostel onde me hospedei, encontrei o ator argentino Ricardo Darín (O Segredo de Seus Olhos e Um Conto Chinês) nas ruas de Barcelona e comi a legítima pizza italiana em Roma. Também dormi num McDonald's 24 horas em Bruxelas (Bélgica) após ter problema com minha hospedagem, visitei a Plataforma 9 ¾ em Londres, passei pelas doze casas até o templo de Atenas, na Grécia,  e o pude ver pessoalmente o Muro de Berlim. 
Passado quase um ano desde minha volta ao solo gaúcho, ainda mantenho contato com alguns amigos que conheci lá. Trocamos mensagens para compartilhar alguma bobagem ou simplesmente para perguntar se está tudo bem; com essa onda de atentado em vários países europeus, alguns deles presenciaram ou conhecem alguém que se envolveu no caso.
Talvez um ou outro venha até o Brasil no próximo ano, conhecer um pouco mais da cultura daqui e, principalmente, provar o legítimo pastel de queijo (sim, pastel. Também não entendo). Sobre visitar eles? Também está num plano, para um futuro não (tão) distante, ou assim espero.

Foto: arquivo pessoal de Gustavo Fritzen

Gustavo Fritzen, acadêmico de jornalismo, 8º semestre.

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