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| Foto: arquivo pessoal de Gustavo Fritzen |
Ir
ao mercado, pegar um ônibus ou simplesmente pedir uma informação na rua. Essas
são algumas atividades que fazem parte de nossa rotina e que geralmente
realizamos no piloto automático. Mas as tarefas podem não ser tão simples assim quando estamos em outro país com uma cultura ou
idioma tão diferente da nossa.
Durante
meus seis meses em Dublin, capital da Irlanda, muitos choques culturais foram vividos. Talvez a famosa política do faça-você-mesmo tenha
sido a maior delas. A linha de pensamento é simples: por que pagar para
uma pessoa servir a outra se a mesma pode fazê-lo? Exemplo disso é o que é
feito na Tesco, rede de supermercados da Europa. Em várias unidades da franquia
há a opção dos próprios clientes comprarem suas mercadorias, depositando o
dinheiro num caixa automático (e recebendo o troco da máquina, caso
necessário). Outro caso é o do transporte Luas, uma espécie de metrô que
circula num trilho entre os carros no meio da cidade. Ao comprar os tickets, o
passageiro digita numa máquina específica a estação em que está e qual deseja
ir. Detalhe: não há fiscal que controla bilhete por bilhete na entrada dos
passageiros e acredite, as pessoas respeitam. Das vezes que andei, poucas vi um
funcionário pedindo a passagem de passageiros específicos.
Antes
de embarcar para a Ilha Esmeralda já tinha ouvido falar de alguns desses
costumes. Frente a nossa realidade, isso parecia mais um mito, algo que não
poderia dar tão certo assim. Mas deu.
Outra coisa que me alertaram era a grande quantidade de brasileiros por lá e
que quando menos me desse conta eu me veria rodeado por outros brasileiros que
tentavam a sorte fora do país. No que diz respeito a companhias, não tenho do
que reclamar.
Vivi
cercado de brasileiros, é verdade, mas também estive rodeado por pessoas de
outras nacionalidades. Era estranho - e
ainda é, ao menos um pouco – me referir a eles pelos nomes com fonéticas tão diferentes,
como Takuya, Lee ou Ayşegül. Quando não nos reuníamos na casa de algum de nós
(o que não era tão comum, já que todos dividíamos a moradia com pessoas que
conhecemos por lá), íamos a pubs irlandês e lá ficávamos até fechar, o que
também não ia até muito tarde, pois os estabelecimentos acendem as luzes e
mandam todos embora por volta das duas ou três da manhã.
Quando
se está na Irlanda é muito fácil se deslocar para outros lugares, sejam diferentes
cidades ou até mesmo países que você sempre sonhou. Há quem prefira abrir mão
desse luxo para juntar dinheiro e renovar seu visto, o que não era meu caso.
Tendo planos a serem completados no Brasil, reservei meu sétimo e último mês
para fazer um mochilão.
Com
passagens aéreas internacionais cujos valores chegam a 10 euros, pegar um voo
de Dublin para Paris pode não parecer impossível. Na realidade, a passagem de
ônibus até o aeroporto chegou a ser o mais caro em alguns momentos.
Foram
30 dias imergindo em diferentes culturas num curto espaço de tempo. Andei pelas
ruas de Helsinki (Finlândia) com suecos que conheci no hostel onde me hospedei,
encontrei o ator argentino Ricardo Darín (O Segredo de Seus Olhos e Um Conto
Chinês) nas ruas de Barcelona e comi a legítima pizza italiana em Roma. Também
dormi num McDonald's 24 horas em Bruxelas (Bélgica) após ter problema com minha
hospedagem, visitei a Plataforma 9 ¾ em Londres, passei pelas doze casas até o
templo de Atenas, na Grécia, e o pude
ver pessoalmente o Muro de Berlim.
Passado
quase um ano desde minha volta ao solo gaúcho, ainda mantenho contato com
alguns amigos que conheci lá. Trocamos mensagens para compartilhar alguma
bobagem ou simplesmente para perguntar se está tudo bem; com essa onda de
atentado em vários países europeus, alguns deles presenciaram ou conhecem
alguém que se envolveu no caso.
Talvez
um ou outro venha até o Brasil no próximo ano, conhecer um pouco mais da
cultura daqui e, principalmente, provar o legítimo pastel de queijo (sim, pastel.
Também não entendo). Sobre visitar eles? Também está num plano, para um futuro
não (tão) distante, ou assim espero.
| Foto: arquivo pessoal de Gustavo Fritzen |
Gustavo Fritzen, acadêmico de jornalismo, 8º semestre.

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