O dia 25 de maio de 1977 é considerado um marco para a
história do cinema blockbuster. Nessa data estreava nos cinemas
norte-americanos Star Wars, o primeiro filme de uma franquia bilionária que
rendeu ao seu criador, George Lucas, enorme prestígio e um império em produtos
licenciados. Desde o início, mais do que apresentar uma visão criativa de um
universo conciso recheado de seres estranhos e fascinantes, Lucas optou por uma
abordagem diferente de comércio - conseguindo ficar com os direitos de
merchandising da marca Star Wars, se tornando um dos homens mais bem sucedidos
da história do entretenimento -, decretando a morte da velha Hollywood e seu
formato vigente de negócios.
A trajetória antes de Star Wars...
Incentivado por um amigo de infância, George Lucas ingressou
na Universidade da Califórnia do Sul para estudar cinema. Lá ele acabou
conhecendo outro grande ícone da indústria cinematográfica, Francis Ford
Coppola. Durante a estadia na Universidade, Lucas dirigiu um pequeno curta
intitulado Look at Life - 1965. O
curta chamou a atenção de um dos professores do curso que o inscreveu em vários
festivais de cinema. Look at Life acabou agradando os críticos e ganhou pelo
menos um prêmio em cada festival que participou.
![]() |
| Look at Life - 1965 |
Encerrada a trajetória na Universidade, o recém formado
cineasta entrou para o mercado de trabalho aceitando postos como câmera de segunda
unidade, editor e ajudante de set de filmagem. Também começou a lecionar como
professor assistente na escola de cinema da Universidade, onde acabou dando
aula para um grupo de alunos no mínimo estranho: câmeras da Marinha e dos
Fuzileiros Navais. Ele dividiu a turma em dois grupos para que cada um pudesse
trabalhar em um filme. Os homens do grupo que estavam diretamente ligados ao
professor produziram um curta intitulado Eletronic
Labyrinth THX 1138 4EB, um trabalho que a muito tempo vinha sendo
desenvolvido por Lucas e agora ganhava vida com ajuda de seus alunos.
![]() |
| Eletronic Labyrinth THX 1138 4EB |
No final de 1967, com vários prêmios do National Student
Film Festival no bolso, o cineasta ingressou em um estágio na Warner Brothers,
onde conseguiu transformar seu pequeno curta THX em um longa-metragem. Entretanto,
a Warner odiou o resultado, exigindo que o dinheiro gasto na produção do filme
fosse devolvido. THX acabou sendo retalhado pela produtora, mas mesmo assim foi
exibido nos cinemas. O próximo projeto de Lucas, que também sofreu muitos
cortes, foi American Graffiti – 1971,
uma comédia dramática ambientada nos anos 50. O longa atingiu em cheio o gosto do
público, rendendo a Lucas uma boa quantia em dinheiro que mais tarde seria
investida em seu novo projeto, uma ópera espacial inspirada nos cultuados
seriados Flash Gordon e Buck Rogers.
![]() |
| American Graffiti - 1971 |
Lucas se recusou a dirigir o filme Apocalypse Now, e voltou toda a sua atenção para a obra mais
ambiciosa de sua carreira, Star Wars. Na época ele se deparou com um problema
que havia atingido Hollywood diretamente, a crise dos filmes de ficção
científica, que fez com que todos os grandes estúdios de efeitos especiais
falissem e os departamentos de grandes empresas fossem fechados. Ainda decidido
a transformar sua obra em realidade, o cineasta foi atrás de pessoas que
atuavam na área, juntando um grupo de pessoas talentosas e criando seu próprio
estúdio de efeitos visuais: a Industrial Light and Magic – ILM, hoje sinônimo
de inacreditáveis efeitos visuais.
O roteiro de Star Wars era imenso, inspirado no conceito do
Monomito documentado pelo antropólogo e historiador Joseph Campbell. Devido ao
tamanho da história, Lucas optou por dividir a trama em três partes e acabou
realizando apenas a primeira. No entanto, a tarefa de vender a proposta foi
muito difícil já que a ideia era completamente equivocada para uma época em que
filmes de guerra estavam em baixa, filmes de ficção científica passavam por
maus bocados e os filmes para crianças — que seriam o principal público que
Star Wars buscava atingir — não despertavam nenhum interesse nos executivos de
Hollywood. Logo de cara, a Universal e a Warner recusaram o filme, assim como a
Fox também teria feito, se não fosse a intervenção de Allan Ladd Jr., chefe de
recursos criativos da empresa que ficou fascinado pelas ideias de Lucas
(ilustradas pelas artes conceituais de John Barry) e convenceu os diretores do
estúdio a investir no filme.
A produção enfrentou inúmeros problemas – estúdio descontente
com o elenco, tempestades de areia nas locações da Tunísia, calor insuportável
e cenários e figurinos que não funcionavam direito. O orçamento havia estourado
e a Fox ameaçou cancelar a produção. No entanto, o fator que mais atrapalhou
nas filmagens foi o fato da equipe achar ridículo tudo aquilo que estava sendo
rodado.
Finalmente, no dia 25 de maio de 1977, Star Wars (ainda sem o subtítulo Uma Nova Esperança) entrou em cartaz em apenas 32 cinemas nos
Estados Unidos. O sucesso foi estrondoso. Todas as salas tiveram recordes de
público, apesar da Fox não ter feito grandes investimentos em publicidade para
o filme. A inteligente divulgação de Star Wars foi gerada pela própria LucasFilm,
que conseguiu convencer a editora Del Rey a lançar uma novelização oficial do
filme quase seis meses antes de seu lançamento. O livro vendeu impressionantes
500 mil cópias, que criaram grande expectativa entre os compradores para o filme. Em apenas cinco semanas, Star Wars recuperou
o investimento inicial, abrindo caminho para as continuações e garantindo 10
indicações ao Oscar. Os icônicos personagens também despertaram o interesse do
público em adquirir colecionáveis, bonequinhos e outros produtos, iniciando em
escala os licenciamentos de merchandising que Lucas anteviu em seu contrato com
a Fox. Aliviado, o diretor pôde começar a preparar os outros dois filmes de sua
saga, agora totalmente financiados por um banco, sem qualquer intervenção do
estúdio. Era uma época nova em Hollywood, com um cineasta tendo total controle
sobre a sua criação.
![]() |
Em 2012, depois de seis filmes, séries animadas e inúmeros
produtos licenciados, George Lucas vendeu a LucasFilm para a The Walt Disney
Company. O negócio de US$ 4,06 bilhões inicia uma nova etapa da franquia, com a
promessa de um filme por ano, começando com O Despertar da Força, longa que estreia
nos cinemas nessa quinta-feira (17) e da continuidade ao legado de Lucas.
Andrei Souza, acadêmico do 3º semestre de Jornalismo na Universidade Feevale





Nenhum comentário:
Postar um comentário