quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Por detrás dos panos

Lembram das meias listradas e brilhantes, usadas com sandálias, pela atriz Sônia Braga, na novela Dancin’ Days? Ou dos esvoaçantes véus utilizados pela personagem Jade, em O Clone? Ou, talvez, dos lindos figurinos de época utilizados no seriado A casa das sete mulheres?
Por detrás de adereços afamados como estes está uma das figurinistas da Rede Globo: Marília Carneiro.
Marília tem cerca de 35 anos de carreira e mais de 20 novelas, seriados e filmes estampados no currículo, para não mencionar as tendências que lançou. Na tarde do dia dez de dezembro, em um divertido bate-papo organizado pelo Comitê de Moda – NH Fashion, a figurinista palestrou para cerca de cem estudantes do curso de Design de Moda e Tecnologia da Feevale, no auditório do prédio Azul.
Mesmo com o inegável talento, Marília contou aos estudantes de Moda que, a princípio, não sabia exatamente que ramo seguir. “Fui fazer Filosofia porque achava aquilo simplesmente maravilhoso, mas não durou dois anos. Depois, fiz Jornalismo. Eu achava que, se me formasse, teria uma vida glamurosa. Novamente, não acabei a faculdade”, contou. Embora não tivesse certeza do que fazer, sempre gostou de moda. Por isso, ao voltar de uma viagem à Europa, abriu uma loja em Ipanema, no Rio de Janeiro. A atriz Dina Sfat, na época cliente da butique, pediu ao diretor Daniel Filho que contratasse Marília para vestir sua personagem, na novela Os ossos do Barão, de 1973. “A vida é feita de oportunidades”, refletiu. “É preciso estar alerta para quando a vida te oferece uma oportunidade única”.
Marília ressaltou a importância do figurino no que diz respeito ao equilíbrio da imagem. “A televisão só passa a ser interessante se estiver bem agradável. Não se pode colocar só vermelho ou amarelo”, afirmou. Tais escolhas vêm com o processo de produção dos figurinos. A primeira etapa, segundo ela, é a leitura do perfil dos personagens. Em seguida, acontece a pesquisa de mercado, onde ela e a equipe viajam para saber o que está sendo vendido nas lojas e usado pelas pessoas. “Esse é o momento em que tudo está certo. Não tem atores! Entra o ator e dá problema. As mulheres se preocupam muito se estão parecendo gordas demais, mesmo sendo esqueléticas. Meu próximo filme vai ser um de guerra, só homens!”, brincou, provocando risos na platéia.
Épico ou não, fica a certeza de que o figurino faz toda a diferença para que a imagem se torne agradável ao telespectador, criando tendências que se refletem, também, do lado de fora da telinha.

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