terça-feira, 8 de março de 2016



Crise na Segurança Pública foi tema de palestra na Feevale

    A palestra “Crise na Segurança Pública” aconteceu na noite desta segunda-feira, 7, no salão de Atos da Universidade Feevale. Os palestrantes convidados foram Juliano Roso, Deputado Estadual e Sidinei Bruska, juiz da 2° Vara de Execuções Criminais. O debate faz parte da Calourada, organizada pelo Diretório Central dos Estudantes, DCE, e teve entre a maioria dos seus espectadores acadêmicos de Direito.
A palestra faz parte da programação da Calourada
   Os dois convidados trouxeram dados representativos sobre a segurança hoje no estado do Rio Grande do Sul. Juliano falou sobre a atual situação dos policiais no estado, números sobre a atual crise econômica do RS e possíveis soluções para a falta de segurança. Já Sidinei, juiz há 20 anos, comentou sobre a situação do Presídio Central de Porto Alegre, onde uma de suas funções é tratar sobre a transferências de presos dos presídios da região metropolitana, e também apontou soluções para a lotação dos presídios e a volta da segurança.
   Segundo Juliano, a crise na segurança pública piorou nesse último ano em virtude da crise do estado que cortou 17% do orçamento no serviço. “Hoje a falta de segurança não é um problema que acontece somente na região metropolitana, há cidades com menos de cinco mil habitantes que contam com somente um brigadiano por turno, esse é um dos motivos pelo assalto ás Agências bancárias acontecer mais no interior”, disse o deputado.
   Juliano defende alguns pontos para a superação da crise na segurança: o combate á sonegação fiscal, acabar com o contrabando e a pirataria, onde o governo deixa de arrecadar 500 milhões por ano. Tentar a negociação da dívida com a União, o fim do Tribunal de Justiça Militar, que hoje tem um custo de 50 milhões por ano para julgar cerca de 200 casos, o que é considerado um número baixo. Mais investimento em políticas públicas, principalmente ajudar o jovem na sociedade, oferecendo mais oportunidades. “Eu defendo uma cobrança maior de impostos de quem ganha mais, assim, podendo investir mais.  Se o Brasil não fizer isso, não haverá justiça social. Hoje estamos disputando o jovem com o tráfico de drogas, de armas e não estamos conseguindo vencer essa guerra, por isso acho que a questão da segurança não passa só pela repressão, ela é um conjunto de saídas que precisamos tomar”, destaca Juliano.
A palestra aconteceu no salão de Atos
     O juiz Sidinei trouxe pesquisas sobre o perfil dos presos do Presídio Central. Segundo ele, mais de 50% das pessoas que estão lá são presas por tráfico de drogas. Sendo a maioria homem, desempregado e com o ensino fundamental incompleto. “Acho que deveríamos pensar em uma política de prevenção desde cedo. Achar uma maneira dos jovens de 12, 13 anos continuarem na escola, pois o contato deles com o tráfico de drogas está começando cada vez mais cedo”.
    Sidinei defende que a repressão é importante, mas não é uma das formas mais eficazes de combater a violência hoje. “Usar a prisão para dizer que a Polícia é eficiente é furada, isso é só para ter estatística. Prende-se o traficante, mas passamos na boca de fumo amanhã e o fluxo continua, pois há disputa pelo ponto”, destacou o juiz. Entre as sugestões por ele apontadas para as melhorias da segurança, estão a reestruturação das escolas para manter os jovens lá e a ressocialização dos presos. “Sujeito preso não pode mais cometer crimes, e depois que sair do presídio não pode voltar para o crime”.
   Ao fim da palestra o Deputado Juliano destacou a importância desse debate no ambiente acadêmico: “É um ambiente muito importante, daqui que vão sair juízes, promotores, advogados, delegados. Essa galera aqui, perguntando, opinando e criticando, isso que vai criando uma sociedade crítica, e que vai também pensar saídas para essa questão”.



Solange Neitzke, acadêmica do 6° semestre de  jornalismo da Universidade Feevale.




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