Crise na Segurança Pública foi tema
de
palestra na Feevale
A palestra “Crise na Segurança Pública” aconteceu na noite desta
segunda-feira, 7, no salão de Atos da Universidade Feevale. Os palestrantes
convidados foram Juliano Roso, Deputado Estadual e Sidinei Bruska, juiz da 2°
Vara de Execuções Criminais. O debate faz parte da Calourada, organizada pelo
Diretório Central dos Estudantes, DCE, e teve entre a maioria dos seus espectadores acadêmicos de Direito.
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| A palestra faz parte da programação da Calourada |
Os dois convidados trouxeram dados representativos sobre a segurança
hoje no estado do Rio Grande do Sul. Juliano falou sobre a atual situação dos
policiais no estado, números sobre a atual crise econômica do RS e possíveis
soluções para a falta de segurança. Já Sidinei, juiz há 20 anos, comentou sobre
a situação do Presídio Central de Porto Alegre, onde uma de suas funções é
tratar sobre a transferências de presos dos presídios da região metropolitana,
e também apontou soluções para a lotação dos presídios e a volta da segurança.
Segundo Juliano, a crise na segurança pública piorou nesse último ano em
virtude da crise do estado que cortou 17% do orçamento no serviço. “Hoje a
falta de segurança não é um problema que acontece somente na região
metropolitana, há cidades com menos de cinco mil
habitantes que contam com somente um brigadiano por turno, esse é um dos
motivos pelo assalto ás Agências bancárias acontecer mais no interior”, disse o
deputado.
Juliano defende alguns pontos para a superação da crise na segurança: o
combate á sonegação fiscal, acabar com o contrabando e a pirataria, onde o
governo deixa de arrecadar 500 milhões por ano. Tentar a negociação da dívida
com a União, o fim do Tribunal de Justiça Militar, que hoje tem um custo de 50
milhões por ano para julgar cerca de 200 casos, o que é considerado um número
baixo. Mais investimento em políticas públicas, principalmente ajudar o jovem
na sociedade, oferecendo mais oportunidades. “Eu defendo uma cobrança maior de
impostos de quem ganha mais, assim, podendo investir mais. Se o Brasil não fizer isso, não haverá
justiça social. Hoje estamos disputando o jovem com o tráfico de drogas, de
armas e não estamos conseguindo vencer essa guerra, por isso acho que a questão
da segurança não passa só pela repressão, ela é um conjunto de saídas que
precisamos tomar”, destaca Juliano.
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| A palestra aconteceu no salão de Atos |
O juiz Sidinei trouxe pesquisas sobre o perfil dos presos do Presídio
Central. Segundo ele, mais de 50% das pessoas que estão lá são presas por
tráfico de drogas. Sendo a maioria homem, desempregado e com o ensino
fundamental incompleto. “Acho que deveríamos pensar em uma política de
prevenção desde cedo. Achar uma maneira dos jovens de 12, 13 anos continuarem
na escola, pois o contato deles com o tráfico de drogas está começando cada vez
mais cedo”.
Sidinei defende que a repressão é importante, mas não é uma das formas
mais eficazes de combater a violência hoje. “Usar a prisão para dizer que a
Polícia é eficiente é furada, isso é só para ter estatística. Prende-se o
traficante, mas passamos na boca de fumo amanhã e o fluxo continua, pois há
disputa pelo ponto”, destacou o juiz. Entre as sugestões por ele apontadas para
as melhorias da segurança, estão a reestruturação das escolas para manter os
jovens lá e a ressocialização dos presos. “Sujeito preso não pode mais cometer
crimes, e depois que sair do presídio não pode voltar para o crime”.
Ao fim da palestra o Deputado Juliano destacou a importância desse
debate no ambiente acadêmico: “É um ambiente muito importante, daqui que vão
sair juízes, promotores, advogados, delegados. Essa galera aqui, perguntando,
opinando e criticando, isso que vai criando uma sociedade crítica, e que vai
também pensar saídas para essa questão”.
Solange Neitzke, acadêmica do 6°
semestre de jornalismo da Universidade
Feevale.


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