| Crianças com deficiência visual assistindo ao filme |
Cerca de 15 crianças e adolescentes entre 2 e 16 anos da Associação dos
Deficientes visuais de Novo Hamburgo (Adevis-NH), participaram nesta tarde de
uma sessão de cinema audiodescritiva. A atividade aconteceu no Salão de Atos do
prédio Lilás da Universidade Feevale e foi realizada pelo Núcleo de
Acessibilidade e Permanência (Nuap).
| Caren Kroeff |
A professora da Feevale Caren Kroeff, responsável pela organização da
atividade ressalta o motivo da iniciativa “Foi pela falta de espaços acessíveis,
porque as crianças que são cegas não conseguem ir ao cinema acessível, pois não
tem em nossa cidade, então, encontramos aqui na Feevale um espaço bem próximo a
esse cinema, cem por cento acessível”.
O filme assistido pelas crianças foi “Hotel Transilvânia”, uma obra de animação
que conta a história Do Conde Drácula, que convida seus amigos para comemorar o
aniversário da filha no hotel. O local serve para os monstros descansarem depois
de assustarem os humanos. No meio da comemoração um humano aparece e causa as
maiores confusões.
A audiodescrição tem como objetivo incluir deficientes visuais ao cinema
e teatro. Assim, ela permite que essas pessoas entendam o filme, narrando
detalhes das cenas, como as cores, expressões e movimentos dos personagens. Durante o encontro, a audiodescritora
convidada Iara Aragão fez a descrição do ambiente para as crianças, para elas
reconhecerem o espaço em que estavam.
Iara explicou que para fazer um roteiro de audiodescrição é preciso
muita pesquisa “Não é só chegar e falar apenas o que estou vendo, porque acaba
sendo a minha opinião. A ideia é ser neutro, para um filme, por exemplo, é mais
difícil, pois além de escolher as palavras, tu tem que ver se cabe no tempo da
cena”, disse Iara. Depois de terminado o roteiro, ele é passado para um
deficiente visual, que tem o papel de consultor, avaliando se as palavras
usadas são compreendidas.
| Iara Aragão |
Umas das crianças presentes na sessão de cinema, Nicoly Eduarda Veríssimo,
de 11 anos, perdeu a visão com 5. Ela frequenta a Adevis todas as quartas-feiras,
onde participa de um projeto da psicologia e outro da pedagogia, aprendendo
braile. Perguntada sobre a expectativa do passeio de hoje Nicoly diz “estava
bem animada”.
A psicóloga da Adevis Bruna Marcelino, que realiza o atendimento
psicológico às crianças com deficiência e para a família destaca “Tentamos
desenvolver a questão da autonomia, auto-estima, e adaptação para essas
crianças. E para os pais, desenvolvemos um tipo de escuta para eles, que tanto
sofrem com a deficiência dos filhos. São vários projetos que auxiliam a melhor
qualidade de vida dessas famílias”.
Solange Neitzke, acadêmica do 5° semestre da Universidade Feevale.
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