sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Sessão de Cinema Audiodescritiva na Feevale

Crianças com deficiência visual assistindo ao filme
    Cerca de 15 crianças e adolescentes entre 2 e 16 anos da Associação dos Deficientes visuais de Novo Hamburgo (Adevis-NH), participaram nesta tarde de uma sessão de cinema audiodescritiva. A atividade aconteceu no Salão de Atos do prédio Lilás da Universidade Feevale e foi realizada pelo Núcleo de Acessibilidade e Permanência (Nuap).
Caren Kroeff
   A professora da Feevale Caren Kroeff, responsável pela organização da atividade ressalta o motivo da iniciativa “Foi pela falta de espaços acessíveis, porque as crianças que são cegas não conseguem ir ao cinema acessível, pois não tem em nossa cidade, então, encontramos aqui na Feevale um espaço bem próximo a esse cinema, cem por cento acessível”.
   O filme assistido pelas crianças foi “Hotel Transilvânia”, uma obra de animação que conta a história Do Conde Drácula, que convida seus amigos para comemorar o aniversário da filha no hotel. O local serve para os monstros descansarem depois de assustarem os humanos. No meio da comemoração um humano aparece e causa as maiores confusões.
   A audiodescrição tem como objetivo incluir deficientes visuais ao cinema e teatro. Assim, ela permite que essas pessoas entendam o filme, narrando detalhes das cenas, como as cores, expressões e movimentos dos personagens.   Durante o encontro, a audiodescritora convidada Iara Aragão fez a descrição do ambiente para as crianças, para elas reconhecerem o espaço em que estavam.
   Iara explicou que para fazer um roteiro de audiodescrição é preciso muita pesquisa “Não é só chegar e falar apenas o que estou vendo, porque acaba sendo a minha opinião. A ideia é ser neutro, para um filme, por exemplo, é mais difícil, pois além de escolher as palavras, tu tem que ver se cabe no tempo da cena”, disse Iara. Depois de terminado o roteiro, ele é passado para um deficiente visual, que tem o papel de consultor, avaliando se as palavras usadas são compreendidas.
Iara Aragão
   Umas das crianças presentes na sessão de cinema, Nicoly Eduarda Veríssimo, de 11 anos, perdeu a visão com 5. Ela frequenta a Adevis todas as quartas-feiras, onde participa de um projeto da psicologia e outro da pedagogia, aprendendo braile. Perguntada sobre a expectativa do passeio de hoje Nicoly diz “estava bem animada”.
   A psicóloga da Adevis Bruna Marcelino, que realiza o atendimento psicológico às crianças com deficiência e para a família destaca “Tentamos desenvolver a questão da autonomia, auto-estima, e adaptação para essas crianças. E para os pais, desenvolvemos um tipo de escuta para eles, que tanto sofrem com a deficiência dos filhos. São vários projetos que auxiliam a melhor qualidade de vida dessas famílias”.





  
Solange Neitzke, acadêmica do 5° semestre da Universidade Feevale.


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