Se
você gosta e tem a oportunidade de assistir a filmes e depois bater um
papo com o diretor da película, agradeça a este indivíduo: Nicolas
Tonsho. Ele é um dos
idealizadores, diretor geral, produtor executivo, curador e programador
do maior festival de cinema fantástico da América Latina, o FANTASPOA
– VIII Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre. O
cara bateu um papo conosco em meio à correria
do festival, que ocorre desde o dia 4, com término no domingo, dia 20, e
falou um pouco sobre a história do festival, as novidades desta edição e
dos planos futuros. Confira a entrevista na íntegra:
Refúgio: De onde surgiu a ideia de criar o Fantaspoa?
Nicolas: Na
realidade, em 2005 – ano da primeira edição do Festival de Cinema
Fantástico de Porto Alegre, que viria a ser chamado de Fantaspoa depois
– não havia nenhum festival de cinema semelhante no Brasil, ou seja de
gênero. E o que se percebia, nas participações em festivais de cinema
como o de Gramado, o de Montevidéu e a Mostra de São Paulo, era que
esses eventos, que não são declaradamente dedicados
a nenhum gênero específico, não tinham nem 10% de seus programas
compostos por filmes fantásticos... No final das contas, essa percepção
foi o que mais motivou o surgimento do Fantaspoa, e o que mais
direcionou o objetivo do evento, que é desmarginalizar
o gênero fantástico e possibilitar às pessoas o acesso a diversas obras
que de outra maneira não seriam exibidas em cinema.
Refúgio: Como o festival foi posto em prática? E como vocês conseguiram o apoio de grandes estatais como a Petrobras?
Nicolas: Até a
sexta edição, o Fantaspoa foi realizado quase que praticamente com
recursos próprios dos organizadores. Tivemos apoios de empresas, sim,
mas a maioria dos
custos era bancada por nós mesmo. Por isso, o festival era muito mais
reduzido em termos de convidados. O patrocínio grande mesmo veio em
2011, por meio dos Correios; e em 2012, por meio da Petrobras. Foi o que
mudou todo o Fantaspoa, pois pudemos realizá-lo
da forma mais próxima do que seria o nosso ideal. Os patrocínios foram
obtidos por meio de seleções públicas, mesmo. Eles abrem o edital, nós
nos inscrevemos e torcemos para sermos escolhidos.
Refúgio: Qual a evolução que você vê no festival ao longo desses anos?
Nicolas: Qualidade
dos títulos, qualidade das projeções e enriquecimento da experiência de
ver filmes com a realização de debates com os profissionais envolvidos
nos filmes
programados.
A qualidade dos títulos é consequência natural de nosso cuidado na
elaboração da programação do Fantaspoa e na divulgação do evento,
principalmente fora do Brasil. Participamos de festivais e temos
contatos com diversos diretores, produtores e distribuidoras
de filmes. Como o festival já está na oitava edição, também ajuda na
credibilidade que ele dá para quem tem interesse em exibir seu filme num
festival. É a ordem natural, se você tem um evento que tem regularmente
uma programação de qualidade, produtores se
interessarão mais em ter seus filmes constando no line-up do evento. É
como se fosse uma chancela de qualidade. E isso, claro, é muito
importante para se vender o filme.
Em
termos de qualidade de projeção, as salas que utilizamos
(CineBancários, Cine Santander e Sala Paulo Amorim) têm agora projetores
em alta definição e sistemas
de som de alta qualidade. E agora a grande maioria dos filmes que
estamos exibindo são em cópias em alta definição. Isso proporciona uma
experiência melhor ao espectador.
E
programados para todos os dias pelo menos uma sessão comentada com
profissionais de cinema envolvidos nos filmes programados. Isso é muito
importante, pois se
trata da promoção de um envolvimento maior do espectador com o filme e
com os bastidores da realização cinematográfica. E, também, promove um
fórum onde as pessoas podem trocar suas experiências com cinema. É muito
enriquecedor para os espectadores em geral
e, também, para os estudantes de cinema (na grande Porto Alegre
existem três escolas de cinema).
Refúgio: Quem vai ao Fantaspoa se depara com o quê?
Nicolas: Uma
programação muito caprichada, com filmes diferenciados e de qualidade.
São filmes que geralmente não são lançados comercialmente aqui no
Brasil, e que estão
tendo uma boa repercussão internacionalmente. O nosso foco é na
programação do festival, então sempre nos esforçamos em exibir obras que
estão sendo reconhecidas fora (e que, obviamente, consideramos válidas
de se passarem no festival) e obras cujo valor artístico
e cultural nós reconhecemos e sabemos que terá uma receptividade boa
para quem assistir (ou, de alguma forma, terão algum impacto junto ao
público).
Nos preocupamos bastante com o público, então algumas estratégias nossas são muitas vezes voltadas para beneficiar quem quer aproveitar o festival. Por exemplo, fazermos as sessões em horários fixos (que permite que a pessoa veja o máximo de filmes possível por dia) e fazermos sessões comentadas às 21h15, quando apenas um dos cinemas está funcionando para o Fantaspoa. São aspectos que nossas experiências como espectadores de festivais indicam como necessidades ou facilitadores para o melhor aproveitamento do evento.
Nos preocupamos bastante com o público, então algumas estratégias nossas são muitas vezes voltadas para beneficiar quem quer aproveitar o festival. Por exemplo, fazermos as sessões em horários fixos (que permite que a pessoa veja o máximo de filmes possível por dia) e fazermos sessões comentadas às 21h15, quando apenas um dos cinemas está funcionando para o Fantaspoa. São aspectos que nossas experiências como espectadores de festivais indicam como necessidades ou facilitadores para o melhor aproveitamento do evento.
Refúgio: Como é o contato com as pessoas que vão ao festival? E qual a resposta do público?
Nicolas: Majoritariamente via redes sociais (twitter e facebook). Nos tentamos ter um contato bem próximo com o nosso público, para saber o feedback deles em relação ao evento e também para estimular mais gente a comparecer ao evento. Afinal de contas, é muito importante para nós que as pessoas de fato assistam aos filmes que programamos. Acho que o público percebe a nossa proximidade, e acaba se envolvendo mais com o evento.
Refúgio: Este ano o festival contará com a sequência do filme
"Centopéia Humana", o qual incomodou algumas pessoas na edição de 2010
por se tratar de um filme muito forte. Já ocorreram situações inusitadas
no festival?
Nicolas: Certa
feita, na sessão de Encarnação do Demônio, de José Mojica Marins (Zé do
Caixão), uma moça estava com o namorado no cinema e teve que sair, pois
estava passando
mal. Fora essa situação, eu não lembro. Mas possivelmente ocorreu
alguma assim no Centopéia Humana ou no Filme Sérvio. Teve gente que saiu
no meio da sessão do Filme Sérvio, mas, bem, eu não diria que isso
é muito inusitado, não.
Refúgio: Quais são as novidades desta edição do evento?
Nicolas: A grande novidade é a Mostra Panorama, composta por filmes majoritariamente de drama que possuem toques fantásticos ou abordam situações ou temas inusitados. Tem diversas obras muito premiadas mundo afora ou que estão fazendo uma carreira muito bem sucedida internacionalmente em festivais de cinema.
Refúgio: A edição deste ano possui a mostra Panorama, que conta com
filmes de abordagem diferente em relação ao que é abordado de costume no
festival, certo? A intenção é expandir os horizontes do festival?
Nicolas: Sim, essa é a intenção. Apresentando filmes de muita qualidade, obviamente.
Refúgio: O que você vislumbra para as próximas edições?
Nicolas: A
intenção por ora é manter a estrutura atual, com homenageados,
realização de sessões comentadas e montagem de mostras paralelas.
É nossa vontade expandir o festival
para outras cidades, com mostras, para disponibilizar os filmes em
outras localidades do Brasil. Porém, isso só pode ser realizado com
patrocínio, o que pode demorar um pouco para conseguirmos.
Continue
acompanhando a cobertura do Fantaspoa nas próximas postagens. E
aproveite para conferir os últimos dias de festival. Todas as
informações no site do evento.

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