Podem acreditar! Aconteceu comigo!
Matéria policial. Um incêndio em uma casa em algum bairro de Montenegro. Emocionante não é mesmo? Não para quem estava dormindo como eu. Quarta-feira à noite, depois de um dia estressante de trabalho, estava em casa deitado na minha cama, quando ouço o celular da redação.
- Quem fala?
- Eu, a editora!
- Ah! Boa noite, diga.
- William, eu ouvi umas duas sirenes, liga para os bombeiros e vê o que aconteceu.
Ligando para os bombeiros.
- Soldado Aturgildo, boa noite.
Aturgildo? Eu encontro cada um!
Bem, ou era engano, ou eu ainda estava dormindo. Ou talvez a mãe dele tenha lido o frasco de um remédio para o nariz, antes de batizar o menino.
- Boa Noite Soldado, eu gostaria de saber se houve algum incêndio pelos arredores?
- Sim. É em um beco, no bairro Tal (não revelo, mas nem...).
Pegando o carro da empresa, fui até o local e a rua estava ficando cada vez mais estreita. Mas antes de pensar que poderia estar com sono, uma senhora disse:
- Seu moço, por ali.
Ora seu moço!
Depois de sair do veículo, andei uns 200 metros beco adentro até chegar ao local do incêndio.
O morador estava em desespero. Mas quando me viu se acalmou e começou a conversar.
O local era escuro, mas escuro mesmo.
- Eu estava no quarto quando começou o fogo e eu só corri.
O negócio devia estar quente mesmo
- O senhor conseguiu manter a calma? – bem coisa de repórter que não sabe o que perguntar. Bem capaz que a casa do tio ia tá pegando fogo e ele ia ficar calminho!
- Sim, mas esse incêndio foi provocado – indagou o morador furioso.
Ele saiu de perto de mim e eu comecei a tirar fotos. Quando peguei novamente o papel e a caneta ele disse em alto e bom som para sua mulher:
- Será que terei que matar mais um!
- Mais um? – pensei – Como mais um? Nesse momento comecei a pensar, como é bom viver, não é? Sabe, deu uma saudade da minha mãe, do meu pai, até do meu cachorro. Mas fiz o que qualquer repórter profissional faria: dei boa noite para todos e voltei correndo para o carro...
Nunca mais volto pra lá... Vê se isso é coisa que o cara diga! "Vou matar mais um!". Vê se não tem que pegar um cara desses, amarrar numa jaula com um gorila em fase de reprodução!
Adoro meu trabalho!
Matéria policial. Um incêndio em uma casa em algum bairro de Montenegro. Emocionante não é mesmo? Não para quem estava dormindo como eu. Quarta-feira à noite, depois de um dia estressante de trabalho, estava em casa deitado na minha cama, quando ouço o celular da redação.
- Quem fala?
- Eu, a editora!
- Ah! Boa noite, diga.
- William, eu ouvi umas duas sirenes, liga para os bombeiros e vê o que aconteceu.
Ligando para os bombeiros.
- Soldado Aturgildo, boa noite.
Aturgildo? Eu encontro cada um!
Bem, ou era engano, ou eu ainda estava dormindo. Ou talvez a mãe dele tenha lido o frasco de um remédio para o nariz, antes de batizar o menino.
- Boa Noite Soldado, eu gostaria de saber se houve algum incêndio pelos arredores?
- Sim. É em um beco, no bairro Tal (não revelo, mas nem...).
Pegando o carro da empresa, fui até o local e a rua estava ficando cada vez mais estreita. Mas antes de pensar que poderia estar com sono, uma senhora disse:
- Seu moço, por ali.
Ora seu moço!
Depois de sair do veículo, andei uns 200 metros beco adentro até chegar ao local do incêndio.
O morador estava em desespero. Mas quando me viu se acalmou e começou a conversar.
O local era escuro, mas escuro mesmo.
- Eu estava no quarto quando começou o fogo e eu só corri.
O negócio devia estar quente mesmo
- O senhor conseguiu manter a calma? – bem coisa de repórter que não sabe o que perguntar. Bem capaz que a casa do tio ia tá pegando fogo e ele ia ficar calminho!
- Sim, mas esse incêndio foi provocado – indagou o morador furioso.
Ele saiu de perto de mim e eu comecei a tirar fotos. Quando peguei novamente o papel e a caneta ele disse em alto e bom som para sua mulher:
- Será que terei que matar mais um!
- Mais um? – pensei – Como mais um? Nesse momento comecei a pensar, como é bom viver, não é? Sabe, deu uma saudade da minha mãe, do meu pai, até do meu cachorro. Mas fiz o que qualquer repórter profissional faria: dei boa noite para todos e voltei correndo para o carro...
Nunca mais volto pra lá... Vê se isso é coisa que o cara diga! "Vou matar mais um!". Vê se não tem que pegar um cara desses, amarrar numa jaula com um gorila em fase de reprodução!
Adoro meu trabalho!
William Szulczewski
Repórter do Jornal Ibiá


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